Pelo menos 10% da superfície terrestre, onde vive cerca de um quarto da população mundial (1.200 milhões de pessoas), está a afundar gradualmente. É esta a conclusão de um estudo realizado por investigadores internacionais, liderados por um grupo de espanhóis, que se focou na subsidência provocada pela extração de águas subterrâneas, uma das razões para este fenómeno, que pode também ter causas naturais, como sismos ou vulcões, ou outras de carácter antropogénico, como a extração de minério.

As zonas onde é mais provável que ocorra abatimentos são as áridas ou as que são afetadas por períodos de seca, explicou ao El País o investigador do Instituto de Geologia e Mineralogia de Espanha Gerardo Herrera-García, um dos autores do estudo publicado na quinta-feira na revista Science. A subsidência costuma afetar grandes áreas e é comum gerar fissuras na terra, muitas vezes em zonas de alta densidade urbana. As depressões e bacias hidrográficas ou áreas costeiras são também muito afetadas.

O jornal espanhol indica que na localidade de Lorca (Múrcia), bem como na planície que a rodeia, o solo está a afundar-se a um ritmo médio de cinco centímetros ao ano desde há 50 anos. E atualmente, naquela zona o solo afunda-se 10 centímetros em cada ano. Este é o caso de subsidência mais grave do continente europeu, acrescenta o estudo.

O continente mais afetado pela subsidência é o asiático, onde habita 86% da população que vive em zonas que estão a afundar, mas a subsidência atinge 21% das cidades mais importantes do mundo. De acordo com as conclusões dos investigadores, trata-se de um fenómeno que está a sofrer uma aceleração, causada pelo aumento dos processos de urbanização e de intensificação agrária, em algumas das regiões mais expostas, como a bacia do Ganges, na Índia, ou as planícies do nordeste da China, mas também pelas alterações climáticas e os períodos de seca repentina, que têm deixado os solos mais debilitados. Em Jacarta (Indonésia), o solo está a afundar-se a um ritmo de 28 centímetros por ano.

Os investigadores estimam que, em 2040, 635 milhões de pessoas vivam em zonas que podem ser inundadas.