O presidente do PSD, Rui Rio, considera estranho o empenho do Governo em defender o procurador José Guerra e diz que parece ser maior do que o empenho da ministra da Justiça “em defender a sua dignidade no exercício do cargo”.

A sexta publicação do líder social-democrata na rede social Twitter sobre este tema desde quinta-feira foi feita poucos minutos depois de uma entrevista da ministra da Justiça à RTP, na qual Francisca Van Dunem defendeu que tem condições para continuar no Governo depois da polémica em torno da nomeação do procurador europeu, considerando que foi feito um “empolamento profundamente injusto” de uma situação “rigorosamente transparente”.

“Pelos vistos, o empenho do Governo socialista em defender o procurador José Guerra é maior do que o da própria ministra em defender a sua dignidade no exercício do cargo. Dá muito que pensar”, considera Rio.

Na sua publicação, o líder social-democrata não se refere em concreto à entrevista e partilha uma notícia do semanário Expresso, segundo a qual existe outra incorreção na informação enviada à União Europeia sobre José Guerra.

De acordo com o Expresso online, o Ministério da Justiça diz que procurador José Guerra “assegurou a direção da investigação do processo relativo à Junta Autónoma de Estradas” quando, na verdade, fez parte de uma equipa com vários magistrados que era dirigida por Daniel Sanches.

Na entrevista à RTP, questionada sobre as críticas e dúvidas levantadas pelos partidos políticos, que fizeram uma avaliação do caso distinta daquela que a ministra hoje defendeu, Francisca Van Dunem declarou-se “ansiosa” por prestar esclarecimentos do parlamento e, apesar de frisar que o seu lugar está sempre à disposição do primeiro-ministro, considerou ter condições para se manter no cargo.

“Do meu ponto de vista mantêm-se essas condições, mais do que isso, aquilo que se trata é de um empolamento profundamente injusto de uma situação que é rigorosamente transparente. Nós temos as instituições nacionais que tomaram uma decisão, o Governo respeitou essa decisão. O Governo poderia ter nomeado quem quisesse”, afirmou.

Caso do procurador europeu é um “empolamento profundamente injusto”, diz ministra