Desde 1885 que o carvão lidera nos Estados Unidos da América (EUA) como o combustível mais popular para gerar energia eléctrica. Em 2019, pela primeira vez em 134 anos, o carvão foi ultrapassado pelas fontes renováveis, ou seja, a energia verde.

Não há combustível mais poluente para alimentar centrais termoeléctricas do que o carvão. Porém, para os países que podem retirar grandes quantidades do subsolo, não há igualmente combustível mais barato, o que coloca esses países num dilema, que consiste em salvar o ambiente ou ajudar à competitividade das indústrias locais, especialmente aquelas que consomem grandes quantidades de energia.

Os EUA estão longe de ser um caso único nesta “paixão” pelo carvão, pois mesmo na Europa, substancialmente mais consciente das vantagens da energia verde e não poluente, há países como a Alemanha e a Polónia que ainda dependem muito do carvão. Mas as regras da UE impedem que esta situação se continue a arrastar e há já datas para que ambos os países encerrem as centrais termoeléctricas a carvão. Outro caso bem mais complexo é a China que, por ter muito carvão barato e necessitar de energia acessível em termos de custos, olha para o lado sob o ponto de vista ambiental, mesmo à custa da saúde dos seus cidadãos.

Nos EUA, o carvão está em declínio desde há anos, mas os industriais desta área, através das suas grandes contribuições para as campanhas dos políticos, a começar por Donald Trump, sempre conseguiram usufruir de alguma protecção. De acordo com a Administração de Informação de Energia (EIA) norte-americana, em 2019 (último ano sobre o qual há dados disponíveis), o consumo de carvão caiu 15%, enquanto as renováveis aumentaram 1%, tendo como referência 2018.

Afirma a EIA que 2019 foi o sexto ano consecutivo em que a queima de carvão caiu, como mineral, registando 11,3 quadriliões de BTU, o valor mais baixo desde 1964. Muitas das antigas centrais a carvão foram substituídas por outras a gás natural. Por outro lado, a energia eléctrica gerada por fontes renováveis aumentou continuamente nos últimos quatro anos, atingindo 11,5 quadriliões de BTU em 2019 e batendo a proveniente do carvão.

De recordar que há estudos que confirmam que as minas de carvão emitem mais metano do que a indústria do petróleo e do gás, que possui um lobby ainda mais forte nos EUA.