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Quando Sérgio puxa por Sérgio, ganha (um)a equipa – a crónica do FC Porto-Moreirense

Sérgio marcou, assistiu e foi um exemplo. No passe, para Uribe. Nos movimentos, para os centrais. Na atitude, para os avançados. E teve um toque de Midas na vitória do FC Porto com o Moreirense (3-0).

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Sérgio Oliveira continua a ser um elemento fundamental do FC Porto a marcar, a assistir e a liderar a equipa

Octavio Passos

Sérgio Oliveira continua a ser um elemento fundamental do FC Porto a marcar, a assistir e a liderar a equipa

Octavio Passos

Todas as equipas têm em todas as temporadas momentos chave que definem aquilo que fica depois para a história: os números. Pode até ser mais do que um, dois, três ou cinco, mas é uma fase determinante que marca muito mais do que esse presente e escreve as linhas do futuro – sejam elas mais direitas ou mais tortas. E se no ano passado a derrota na final da Taça da Liga e posteriores palavras de Sérgio Conceição no final do encontro em Braga foram o dínamo para o FC Porto arrancar para a vitória na dobradinha, esta época foi o desaire em Paços de Ferreira, o pior desde que o técnico chegou ao Dragão (assumido pelo próprio), que promoveu uma inversão nos resultados.

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Daí para cá, os azuis e brancos tiveram uma série de 12 vitórias em 13 jogos até ao final de 2020 (pelo meio houve o empate frente ao Manchester City em casa, que carimbou a qualificação para os oitavos da Champions), ganhando nessa trajetória a Supertaça ao Benfica. Mais do que isso, como se viu de forma paradigmática na última partida em Guimarães em que a equipa foi obrigada a duas reviravoltas para derrotar os minhotos, o FC Porto recuperou essa identidade de jogo promovida por Sérgio Conceição desde que chegou ao clube e que nem sempre se viu no início da temporada. No entanto, e à semelhança das entrevistas de fim de ano que deu, o técnico arrumou todo esse capítulo de triunfos na gaveta do ano de 2020 e adotou um discurso de ambição para o que se segue, tendo em vista não só os jogos sem margem de erro do Campeonato mas também a Final Four da Taça da Liga.

“A equipa está bem? Na hora do jogo é que vamos todos ver se a equipa está bem… O futebol é um recomeçar constante. Quando acaba um treino ou um jogo, nos seguintes temos de estar outra vez no máximo. À medida que as competições caminham para o fim, os jogos tornam-se cada vez mais decisivos. Agora vamos entrar nessa fase em várias competições e cabe-nos treinar para estar no máximo. Comigo, não acredito que haja deslumbramento. Quando ganhámos a Supertaça, um título muito importante para nós, fiz questão de garantir que os jogadores estivessem logo focados no jogo em Guimarães e isso aconteceu. Por isso não há problema. Também quem ficar deslumbrado ficará deslumbrado em casa”, garantiu o técnico dos dragões a esse propósito antes do encontro com o Moreirense, com um grau extra de incerteza após a saída de César Peixoto um dia antes da partida.

Em paralelo, e numa fase onde Sérgio Conceição surge cada vez mais (ou ainda mais) como rosto do sucesso dos azuis e brancos na discussão dos últimos troféus, o treinador tornava-se o terceiro com mais jogos de sempre no comando dos dragões (187), superando Jesualdo Ferreira e ficando apenas atrás de José Maria Pedroto e Artur Jorge. “Isso representa que o presidente tem tido alguma paciência comigo e por isso tenho-me mantido aqui [risos]… Olhando para o histórico de grandíssimos treinadores que o FC Porto tem tido, sinto uma alegria natural, é um grande prazer representar o meu clube. Mas tudo isto é volátil, dependemos dos resultados. Aqui temos um exemplo contrário de outros, com a qualidade e capacidade do nosso presidente. Essa estabilidade é fundamental para que os treinadores possam desenvolver o seu trabalho”, destacou antes do momento histórico.

Sérgio Conceição assume cada vez mais o papel de um José Maria Pedroto dos tempos modernos, capaz não só de perceber a cultura do clube mas também de transmitir essa mesma cultura para quem está em campo. Pepe é um exemplo disso no jogo em si, Sérgio Oliveira é um caso paradigmático do jogador saído da formação dos portistas, com vários empréstimos pelo meio mas que ganhou o seu espaço para dar mais espaço aos outros. Foi isso, mais uma vez, que aconteceu: mais do que o golo e a assistência no 3-0 ao Moreirense, o rendimento do médio teve um toque de Midas em vários jogadores que atuam perto de si, dos centrais a Uribe (que voltou a ter uma exibição de grande nível), e a atitude empurrou outros como Taremi ou Toni Martínez para aquele “querer mais” que no final faz sempre a diferença. Sérgio (Conceição) levou Sérgio (Oliveira) ao limite e com isso ganhou uma equipa.

Ficha de jogo

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FC Porto-Moreirense, 3-0

12.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Manuel Mota (AF Braga)

FC Porto: Marchesín; Wilson Manafá, Mbemba, Diogo Leite, Zaidu; Uribe, Sérgio Oliveira (Romário Baró, 90+4′); Corona (Fábio Vieira, 89′), Luis Díaz (João Mário, 89′); Marega (Toni Martínez, 70′) e Taremi (Evanilson, 89′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Nanu, Sarr e Grujic

Treinador: Sérgio Conceição

Moreirense: Mateus Pasinato; D’Alberto, Rosic, Ferraresi, Abdu Conté (Afonso Figueiredo, 72′); Alex Soares (Ibrahima, 72′), Fábio Pacheco, Filipe Soares (Gonçalo Franco, 86′); Yan Matheus (David Tavares, 86′), Walterson e Felipe Pires (Galego, 72′)

Suplentes não utilizados: Kewin Silva, ​​​​​​​Matheus Silva, Steven Vitória e Lucas Silva

Treinador: Leandro Mendes

Golos: Sérgio Oliveira (22′, g.p.), Toni Martínez (88′) e Evanilson (90+1′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Corona (31′) e Toni Martínez (83′)

Com Mbemba de regresso à equipa após lesão entrando para o lugar do agora lesionado Pepe e com Luis Díaz no lugar de Romário Baró em comparação com a equipa que começou o jogo em Guimarães, o FC Porto não teve uma entrada forte no jogo apesar de, por paradoxal que possa parecer, a entrada ter sido a jeito de ser forte: com linhas muito subidas e a pressionar alta a saída do Moreirense (que ainda assim foi saindo com boas combinações até ao meio-campo contrário), os azuis e brancos encontraram muitas vezes Luis Díaz entre linhas ou Corona sozinho para o 1×1 mas nunca tiveram o pragmatismo necessário para saltar dessa fase para a criação de oportunidades. Foi até o conjunto visitante a chegar aos 20 minutos com mais remates (2-1, todos sem grande perigo) até ao erro de avaliação que viria a desequilibrar as contas: Ferraresi calculou mal uma entrada sobre Corona, derrubou o ala mexicano na área e Sérgio Oliveira, de grande penalidade, inaugurou o marcador no Dragão (22′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Moreirense em vídeo]

A partir daí, houve mais FC Porto e muito menos Moreirense, que acusou em demasia o golo e deixou de sair como tinha feito até esse momento. E, em paralelo com esses movimentos contrários, os médios e os alas azuis e brancos foram conseguindo encontrar novos e melhores espaços para os avançados, o que não deu golo quase por acaso: após mais um grande passe de Sérgio Oliveira para as costas da defesa dos cónegos, Taremi ainda tirou Pasinato da frente mas adiantou demasiado a bola (35′); Corona encontrou o iraniano na área para o cabeceamento que bateu na trave antes da recarga de Marega para grande intervenção de Pasinato (39′); e Luis Díaz, em mais uma diagonal a ganhar espaço para o remate, tentou fazer o terceiro golo seguido mas atirou ao lado (45′).

O segundo tempo começou com o Moreirense a ter a melhor aproximação do jogo até esse momento à baliza do FC Porto, com Felipe Pires a ganhar espaço pela direita aproveitando a subida de Zaidu, a cruzar bem para a área mas com Walterson a chegar atrasado para encostar sozinho (54′). Ficou o aviso, a que se seguiriam mais dois também sem remate à baliza, perdeu-se a oportunidade: os dragões voltaram a ganhar outra verticalidade no seu jogo após o “susto”, Corona viu Pasinato evitar o segundo golo após um grande passe de Uribe para as costas da defesa (60′) e Taremi voltou a arriscar o remate que coroasse uma exibição onde foi o melhor na frente (63′). A meio da segunda parte, e apesar de haver essa sensação que um FC Porto mais rápido e com maior pragmatismo podia fechar em definitivo o encontro, continuava tudo em aberto e começavam as substituições nesse sentido.

Sérgio Conceição lançou Toni Martínez no lugar de Marega, Leandro Mendes arriscou uma tripla alteração com as entradas de Afonso Figueiredo, Ibrahima e Galego. O Moreirense até piorou, o FC Porto melhorou e muito. E foi a agressividade do espanhol (num lance quando já tinha cartão amarelo levada mesmo ao limite…) que ajudou a fechar em definitivo o encontro: já depois de ter um golo anulado após mais uma bola ao poste de Taremi (77′), teve um lance de insistência na área até ver o remate desviar em D’Alberto e trair Pasinato para o 2-0 (88′) e viu Evanilson sair do banco para marcar o terceiro após mais uma assistência de Sérgio Oliveira (90+1′).

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