Depois do Reino Unido, agora é a vez da Alemanha e da Dinamarca ponderarem um adiamento da toma da segunda dose da vacina contra a Covid-19. Na semana passada, o governo britânico informou que iria dar prioridade à vacinação da primeira dose, de forma a permitir que o maior número possível de pessoas fiquem protegidas mais cedo. A segunda dose só seria administrada 11 ou 12 semanas depois, em vez de três ou quatro, como estava previsto.

Na segunda-feira, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, pediu ao Robert Koch Institute, a entidade que gere o controlo da doença, que investigasse o adiamento da segunda toma da vacina. O pedido acontece depois de a Alemanha ter sido alvo de críticas segundo as quais o país não comprou vacinas suficientes para implementar rapidamente o programa de vacinação.

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Já na Dinamarca, o instituto de doenças infeciosas do país também anunciou na segunda-feira que vai monitorizar de perto a situação no Reino Unido. O ministério da Saúde, segundo o The Guardian, estará a considerar um intervalo de entre três a seis semanas. Num comunicado, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) defendeu que o intervalo máximo de 42 dias, ou seis semanas, entre as doses deve ser respeitado.

A abordagem do Reino Unido não é unânime na comunidade científica. As farmacêuticas desaconselham essa opção, argumentando que não foi isso que se testou nos ensaios clínicos realizados.  Por outro lado, Hélder Mota Filipe, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e ex-presidente do Infarmed, que apoia da decisão do país, explicou ao Observador que a resposta imunitária à vacina começa a ser desenvolvida nos primeiros dias ou nas primeiras semanas após a toma, estabilizando por volta dos 21 dias (no caso da vacina da Pfizer). É por isso que essa é a data escolhida para a segunda dose. O responsável diz, porém, que os estudos revelaram que, depois da primeira dose, a resposta imunitária se mantém até à 12.ª semana. A segunda dose é, por isso, precisa para garantir que as defesas vão permanecer no tempo.

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Agência europeia desaconselha adiamento da segunda dose além dos 42 dias

A Agência Europeia de Medicamentos desaconselha adiar a segunda dose da vacina Pfizer-BioNTech além dos 42 dias, numa altura em que Alemanha e Bélgica admitem administrar a primeira dose a mais pessoas e adiar a segunda além dos 21 dias prescritos.

Aquele organismo, que trata da avaliação técnica das vacinas na União Europeia (UE), ressalta que “os vacinados podem não estar totalmente protegidos até sete dias após a segunda dose”, como indicou a Pfizer após os ensaios clínicos, disse à agência espanhola EFE a porta-voz da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Sophie Labbe. No entanto, a EMA não proíbe estender a administração da segunda dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 até aos 42 dias.

Embora a informação do produto “não defina explicitamente o limite superior para o tempo entre as doses, as recomendações de dosagem fazem uma referência explícita (…) onde é especificado, respetivamente, que a evidência de eficácia é baseada num estudo no qual a administração de duas doses foi realizada com intervalo de 19 a 42 dias”, acrescentou.

Qualquer mudança neste modo de utilização “exigiria uma variação da autorização de comercialização, bem como mais dados clínicos para apoiar tal mudança, caso contrário, seria considerada como ‘uso off-label’”, acrescentou a porta-voz da EMA.