O frio em Braga, por estes dias, é “de rachar” mas mesmo assim não chega para “convencer” os sem-abrigo a pernoitarem no centro de acolhimento preparado pelo município, disse esta terça-feira o vereador da Proteção Civil.

Em declarações à Lusa, Altino Bessa acrescentou que, perante a irredutibilidade de quem prefere continuar a dormir na rua, há equipas que vão diariamente ao encontro dos sem-abrigo, distribuindo bebidas quentes, cobertores e roupa e tirando o pulso ao seu estado de saúde.

As noites estão mesmo muito geladas, o frio é de rachar, e há que estar atento, nomeadamente a eventuais casos de hipotermia”, referiu.

Para o autarca, a recusa em pernoitar no centro de acolhimento tem a ver com “hábitos enraizados” e “muito difíceis de inverter”.

Estão habituados ao seu mundo, à forma de viver na rua, às suas liberdades, aos seus consumos de drogas e álcool”, sublinhou.

Altino Bessa acompanhou, uma noite destas, as equipas da Cruz Vermelha que prestam auxílio aos sem-abrigo, para se inteirar da situação e os tentar convencer a, pelo menos nestas noites mais frias, optarem pelo centro de acolhimento, mas sem sucesso.

Falámos com nove pessoas, sete das quais disseram logo que nem pensar dormir noutro local que não na rua. Dois ainda disseram que iriam passar pelo centro de acolhimento para verem as condições e se inteirarem das regras, mas ainda não apareceram”, disse o vereador responsável pela Proteção Civil.

Adiantou que na cidade deverá haver uns 15 ou 16 sem-abrigo, que pernoitam nas ruas, em túneis ou em prédios devolutos. Nem todos são de Braga, mas Braga foi a cidade que escolheram.

O município, no âmbito do combate à pandemia de Covid-19, criou um centro de acolhimento para os sem-abrigo na Casa de Saúde do Bom Jesus, que agora, em tempos de muito frio, continua disponível para receber novos “inquilinos”. No centro, estão cinco sem-abrigo e outras sete pessoas que, por razões várias, se preparavam igualmente para ficar sem ter onde dormir. Há espaço para os restantes sem-abrigo identificados na cidade, mas, como salientou Altino Bessa, “ninguém os pode obrigar”.

É claro que no centro há regras, tem de haver, mas por acaso até não são muitas. Há mesmo uma certa flexibilidade. Mas mesmo assim há quem prefira dormir ao relento”, lamentou.

Braga ativou, no sábado, o Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-abrigo, devido à previsão de temperaturas até dois graus negativos. O plano fica ativo até às 09h de quinta-feira, podendo haver um eventual prolongamento em função de uma atualização da previsão meteorológica. A ativação de equipas de rua e de centros de alojamento de emergência são algumas das medidas previstas no plano.