O Governo da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, declarou a existência de um surto de cólera no distrito de Montepuez, após registar uma morte e 11 pessoas contaminadas, anunciou o secretário de Estado daquela província.

“A vigilância laboratorial para determinar as causas da diarreia permitiu a confirmação de casos positivos [desde dezembro], o que satisfaz os critérios para a declaração do surto de cólera, portanto estamos com cólera em Montepuez”, disse o Secretário de Estado da província de Cabo Delgado, Armindo Ngunga, citado esta quarta-feira 6 de janeiro, pela Televisão de Moçambique.

Montepuez, com cerca de 200 casos de diarreias, é o sexto distrito de Cabo Delgado, depois de Metuge, Mocímboa da Praia, Macomia, Ibo e cidade de Pemba, onde se registam casos de cólera, desde janeiro de 2020.

Em setembro de 2020 o primeiro-ministro moçambicano lançou uma campanha de vacinação contra a cólera nos cinco distritos afetados e que se esperava abranger mais de 350 mil pessoas.

“Pensávamos que a situação ia melhorar em Metuge e Pemba, mas não está a acontecer por causa do movimento que ocorre sobretudo aqui em Pemba. Há muita gente nova a chegar e até gente que vem de zonas onde não decorreu a campanha de vacinação”, referiu.

Desde que eclodiu a epidemia naquela província foram registados 2.125 casos de cólera e 37 óbitos, avançou Ngunga, considerando que houve “um aumento de casos em mais de 100%” comparado a 2019, em que se registaram 282 casos e nenhum óbito.

Segundo as autoridades, o dilema é frequente em toda a época chuvosa naquela província, o que se deve a problemas de saneamento, consumo de água imprópria e falta de casas de banho.

Entre os meses de outubro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral, além de secas que afetam quase sempre alguns pontos do sul do país.