“Um mero resultado abaixo das expectativas”. É assim que o Benfica interpreta o empate da passada segunda-feira, nos Açores contra o Santa Clara, que atirou a equipa de Jorge Jesus para o terceiro lugar da Primeira Liga em igualdade com o FC Porto e a quatro pontos do Sporting. Um empate que surgiu na sequência da derrota na Supertaça Cândido de Oliveira, perante os dragões, e que segundo o clube criou um “desabar de críticas e o raiar de inúmeras questões de fundo”.

Tudo isto está na newsletter do Benfica, publicada esta quarta-feira no site oficial do clube, sob o título “Confiança no futuro”. “A grandiosidade do Benfica amplifica tudo, do mais eloquente feito ao simples deslize. É um delicado equilíbrio entre a exaltação e a depressão o universo em que qualquer benfiquista se movimenta”, lê-se logo no primeiro parágrafo, ao qual se segue a ideia de que o empate nos Açores gerou “sondagens, radiografias, debates e programas especiais no panorama mediático nacional”. Ainda assim, os encarnados acreditam que nada disso é um “exagero”: é simplesmente “a dimensão do Benfica”.

Era o segundo ato. Mas as estrelas esqueceram as falas, ficaram nos bastidores e estragaram o espetáculo (a crónica do Santa Clara-Benfica)

“Vamos a factos, olhando com frieza e racionalidade, nunca descurando a paixão que nos move neste clube. O Benfica está nas quatro competições que tem ambição de vencer esta época com total possibilidade de cumprir o desígnio a que se propôs. As exibições não têm correspondido àquilo que são as expectativas e exigências dos seus adeptos? Admita-se que não! Mas qual é a equipa que em tempos de pandemia, sem a intensidade, a adrenalina e o calor do público, tem maravilhado nos relvados dessa Europa fora?”, questiona o Benfica, realçando em seguida duas “questões inequívocas”: o facto de o clube ter “um excelente plantel” e o ponto adicional de ter “um treinador com um dos melhores currículos do mundo”.

Já no penúltimo parágrafo, o texto volta a sublinhar o “vazio dos estádios” — garantindo que o Benfica é “comprovadamente” o clube que mais sofre com a ausência dos adeptos — e destaca o “calendário diabólico”, a paragem para os compromissos das seleções, as lesões e os recentes casos de Covid-19 como alguns dos motivos para a lentidão da “progressão do modelo de jogo”. “Até porque, tal como retratava muito bem um excelente debate ontem na BTV, não é apenas a ausência de jogadores a consequência principal dos casos de Covid: todas as dinâmicas de grupo, a recuperação e o regresso dos atletas aos seus níveis físicos habituais são afetados”, acrescenta.

Lucas Veríssimo já assinou. E entre o empate e a lesão de Gilberto, foi mesmo a única boa notícia do dia do Benfica

Por fim, o clube garante que, apesar de todas as questões elencadas anteriormente, não existem “desculpas”. “Com a exigência e a ambição que sempre caracterizam o Benfica, com uma liderança que é exercida diariamente e não propalada externamente, acreditamos que, juntos, vamos ultrapassar todas as condicionantes e regressar às vitórias já depois de amanhã. E almejar os objetivos a que nos propomos”, termina a nota, que acaba a citar uma “grande referência política internacional” para dizer que “na vida os que triunfam não são os que nunca caem, mas aqueles que sabem reerguer-se”.