A declaração, inflamada e inflexível, foi proferida poucas horas antes de os apoiantes seus invadirem o Capitólio — uma ação que ainda decorre e que já originou  violência. Falando num comício perante milhares de manifestantes que se deslocaram a Washington para o apoiar, Trump disse esta quarta-feira o que muitos temem: que nunca reconhecerá a vitória do vencedor das eleições norte-americanas, Joe Biden.

Manifestantes pró-Trump invadem o Capitólio enquanto congressistas discutem validação dos resultados

Apontando o dedo a um alvo habitual, os media — “o maior problema que temos” e que acusa de terem contribuído para uma fraude eleitoral em grande escala que nunca conseguiu provar —, Trump rematou com vigor: “Nunca desistiremos. Nunca concederemos”.

Neste dia em que o Congresso ratifica o resultado do Colégio Eleitoral, que deu a vitória ao democrata Joe Biden após este ter conseguido vencer num número de Estados suficientes para se tornar Presidente, Trump insistiu: “Vencemos esta eleição”. E depois, já na rede social Twitter, decidiu voltar-se contra o seu próprio vice-presidente cessante, Mike Pence, que tentou pressionar para o ajudar a contestar o resultado:

O Mike Pence não teve coragem de fazer o que deveria ter sido feito para proteger o nosso país e a nossa Constituição, dando aos EUA uma hipótese de certificar um conjunto corrigido de factos, não os factos fraudulentos ou incorretos que lhes foi pedido para certificarem previamente. Os EUA exigem a verdade!”, escreveu.

Esta mensagem crítica de Trump sobre Mike Pence voltou, como tem sido prática habitual nas suas declarações revisionistas sobre o processo eleitoral, a ser sinalizada com uma informação da rede social que indica que “este argumento relativo a fraude e eleitoral é contestado” pelos factos. Uma mensagem que Trump não corre o risco de ver incluída nos seus “tweets” mais recentes, onde reagiu à invasão do Capitólio por apoiantes.

Nestas últimas mensagens de reação à invasão de um edifício central da democracia norte-americana, Trump começou por pedir: “Por favor apoiem a nossa Polícia do Capitólio e as nossas forças da autoridade. Eles estão verdadeiramente do lado do nosso país. Mantenham-se pacíficos!”. E de seguida acrescentou:

Estou a pedir a todos os que estão no Capitólio dos Estados Unidos para permanecerem pacíficos. Sem violência! Lembrem-se, NÓS somos o partido da lei e da ordem — respeitem a lei os nossos grandes homens e mulheres de azul. Obrigado!”

O vice-presidente Mike Pence teve esta quarta-feira a tarefa, perante o Congresso, de abrir os certificados de voto eleitorais de cada Estado e apresentá-los aos escrutinadores indicados pela Câmara de Representantes e pelo Senado, ratificando o resultado do Colégio Eleitoral, que deu a vitória ao candidato democrata, Joe Biden.

Mas Trump, que continua sem aceitar os resultados das eleições presidenciais, já tinha usado a sua conta pessoal da rede social Twitter para pedir previamente a Pence para não cumprir a tarefa cerimonial e rejeitar a sua validação, durante a sessão conjunta das duas câmaras do Congresso. “Tudo o que Mike Pence tem de fazer é mandá-los de volta para os Estados Unidos. Nós ganhámos!”, escreveu no Twitter. Pence não o fez, a polémica instalou-se e a invasão ao Capitólo por apoiantes de Trump aconteceu entre o final da tarde e início da noite (hora de Portugal Continental), esta quarta-feira.

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