As indicações pareciam ser positivas quando faltava uma hora para o início do encontro. O vento era forte, havia alguma chuva mas os jogadores de Nacional e Sporting subiram ao relvado para fazer os habituais exercícios de aquecimento. Aí, começaram a perceber-se os primeiros sinais de que poderia não haver jogo, algo confirmado após uma espera de 30 minutos e a reunião de cerca de um quarto de hora onde ficou decidido adiar a partida para esta sexta-feira, às 18h. Se a comitiva dos leões já tinha aterrado no Funchal com um atraso de mais de três horas com paragem por Porto Santo pelo meio, também havia a garantia que voltar esta noite para Lisboa era um cenário muito complicado. E esses foram alguns dos sete capítulos até à decisão, havendo ainda duas dúvidas: se o Sporting volta ao Continente antes do jogo da Taça e se o jogo com o Marítimo se mantém na segunda-feira.

Aquecimento foi feito, início atrasou meia hora mas Nacional-Sporting foi adiado para esta sexta-feira

Uma chegada que aconteceu mais de três horas depois do suposto. Enquanto em Itália a Juventus lutava pela sobrevivência na Serie A e impunha ao AC Milan a primeira derrota na prova, o Sporting, que se tornou esta quarta-feira a única equipa das principais ligas europeias ainda sem desaires na presente temporada, conhecia um adversário chamado Filomena que não dava tréguas na chegada da comitiva ao Funchal. Literalmente, foi até à última: após ter visto o avião desviado para Porto Santo devido ao forte vento que se fazia sentir no Funchal, a equipa esteve cerca de três horas dentro do avião à espera de uma decisão, já se falava na possibilidade de regresso a Lisboa mas a aterragem no aeroporto Cristiano Ronaldo foi feita na última tentativa, com a chegada ao hotel, que deveria ter sido feita antes da hora do jantar, a acontecer só depois das 23h. Foi uma das viagens mais longas dos leões até à Madeira mas o primeiro “objetivo” do dia estava alcançado: aterrar no Funchal e… descansar.

As notícias de Machico e as imagens da Choupana. Pelas previsões meteorológicas (sendo que o frio de rachar que assolou o país nos últimos dias tornvaa-se quase um mal menor neste particular) e até pelo que aconteceu este fim de semana com o Benfica nos Açores, o encontro do Sporting com o Nacional, a contar para a 13.ª jornada da Primeira Liga, continuava em risco pelos dados apresentados pelos especialistas e que passavam não só pela chuva intensa mas também por ventos que poderiam chegar aos 110km/hora. Da zona norte e oriental da Madeira vinham notícias dos estragos que o mau tempo já tinha provocado, nomeadamente em Machico onde pelo menos dois carros foram arrastados pelo transbordo de um curso de água e uma família corria o risco de ser retirada de casa por precaução. Na Choupana, havia nuvens ameaçadoras, algum vento mas o relvado do Estádio da Madeira ia mostrando sinais positivos de resistir à chuva que tinha caído então sem grande força.

A chegada, a entrada de Paulinho e a conversa de Adán e Manuel Mota. Quando a comitiva dos leões chegou ao estádio, onde esperavam alguns adeptos para deixar uma palavra de incentivo, já tinha começado a chover sem muita intensidade mas percebia-se que o vento estava mais forte. Na entrada para o aquecimento, essa imagem ficou bem visível quando o técnico de equipamentos do Sporting, Paulo Gama (ou Paulinho), tentou agrupar um conjunto de bolas mas as mesmas iam andando para a frente com o vento. Os guarda-redes e os jogadores de campo entraram depois no relvado para o aquecimento, percebendo-se que a possibilidade de haver também nevoeiro estava descartada mas que havia dificuldades em alguns momentos. A certa altura, Manuel Mota, árbitro da Associação de Futebol de Braga nomeado para o encontro, aproximou-se de Adán, que lhe disse que a bola não parava, e viu como um pontapé de baliza ficou a meio do meio-campo devido ao vento. Em paralelo, funcionários do Nacional iam reforçando as marcas no campo, que se tinham tornado menos visíveis.

A entrada de 25 elementos que afinal foi apenas para um. Poucos momentos antes das 18h30, a hora marcada para o início do encontro, apenas Manuel Mota entrou em campo, ao contrário dos seus assistentes e dos onzes iniciais das duas equipas. O árbitro deslocou-se até ao centro do relvado, deixou a bola no meio círculo, andou para trás, percebeu que a mesma estava a andar para a frente com o vento, deslocou-se de novo para a zona do túnel de acesso aos balneários e informou os dois conjuntos que não estavam reunidas as condições para o início da partida, algo bem aceite pelos elementos do Sporting mas que pareceu ser contestado por parte de alguns responsáveis do Nacional. Os suplentes e restante staff que estavam já sentados nos respetivos bancos também voltaram aos balneários enquanto se cumpriam os 30 minutos previstos nos regulamentos para estas situações.

Alguns olhares para ver se havia melhorias, sem grande esperança. Durante a meia hora de espera, foi ficando claro que muito dificilmente poderia haver jogo esta quinta-feira na Choupana. A chuva foi engrossando mas sobretudo as rajadas de vento aumentavam a sua força, como era bem percetível através das bandeirolas de canto. Um funcionário do Nacional, devidamente identificado com um colete da Liga de Clubes, ainda foi tentando ver se a bola ainda rolava sozinha e as condições estavam ainda piores do que às 18h30. Luís Freire, treinador do Nacional, ia conversando alguns elementos da equipa técnica; Luís Neto veio espreitar como estava o campo mas percebeu-se pela própria cara que seria complicado jogar perante um cenário cada vez pior.

Manuel Mota entra, decide e “anuncia” numa só expressão. Pouco antes das 19h, Manuel Mota voltou ao relvado para voltar a testar as condições para a realização ou não do jogo, já com casaco por cima do equipamento para combater o frio. Primeiro, foi vendo a reação com a bola a meia altura, depois voltou a colocá-la no relvado com resultados ainda piores do que às 18h30. Acenando a cabeça a dizer que não, o árbitro tinha acabado de tomar uma decisão que foi comunicada depois aos assistentes e aos delegados da Liga que estavam à entrada do túnel de acesso aos balneários e aos responsáveis das duas equipas. Mais uma vez, perante as expressões e reações ao que tinha sido decidido, deu a ideia através da transmissão que nem todos no Nacional concordavam com a ideia.

Reunião, duas hipóteses em cima da mesa e remarcação do jogo. Houve então uma reunião curta, de pouco mais de 15 minutos, que juntou equipa de arbitragem, elementos da Liga e delegados das duas equipas para marcar uma nova data para o encontro a contar para a 13.ª jornada do Campeonato. Havia duas hipóteses em cima da mesa: jogar esta sexta-feira, 24 horas depois, não só para “resolver” de imediato a questão mas também porque as previsões apontam para que as condições estejam melhores às 18h; ou colocar a decisão do lado da Liga para que se fizesse o jogo apenas em fevereiro, uma altura menos densa no calendário para os dois conjuntos que não estão nas provas europeias e que permitiria ter um maior período de preparação para os encontros a contar para os oitavos da Taça de Portugal. “Ganhou” a primeira hipótese, até pelo facto de ser muito complicado o Sporting regressar esta noite a Lisboa, ficando apenas por saber se, havendo jogo com o Marítimo na segunda-feira às 21h15, a equipa regressa ou não ao Continente e se poderá haver um adiamento de 24 horas nesse jogo da Taça tal como aconteceu com o Benfica depois de jogar na segunda-feira e não no domingo frente ao Santa Clara.