A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) está a ponderar a transferência de doentes críticos dos hospitais lisboetas para outros pontos de país que estejam menos sobrecarregados com a atividade relacionada com a Covid-19, afirma esta sexta-feira o Expresso.

É um dos mecanismos que as autoridades de saúde estão a estudar para aliviar a pressão sobre o sistema nacional de saúde na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) já teve de transferir dez internados com Covid-19 (cinco para Faro, outros cinco para a Covilhã) por não ter capacidade de resposta.

É a primeira vez desde o início da epidemia em Portugal que a zona de Lisboa e Vale do Tejo chega ao limite da capacidade de resposta aos doentes com Covid-19. De acordo com João Gouveia, presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, a taxa média de ocupação nessas unidades é de 94% neste momento.

Perante o cenário de saturação do SNS em Lisboa e Vale do Tejo, Marta Temido, ministra da saúde, ordenou a suspensão imediata da atividade não urgente; e todos os planos de contingência foram elevados para o nível máximo. Segundo o Expresso, também está em cima da mesa a hipótese de o Hospital Curry Cabral ser totalmente alocado à Covid-19 e de o Santa Marta se transformar numa unidade não-Covid-19.

João Gouveia sugeriu mais uma solução: em entrevista àquele jornal defendeu que, para aumentar a capacidade de resposta à epidemia, todas as cirurgias oncológicas deviam ser efetuadas em hospitais privados e nos institutos especializados em oncologia, libertando assim os hospitais públicos.

Fernando Maltez, diretor de Infecciologia do Hospital Curry Cabral, explica que aquela unidade “não está em rutura”, mas que “nos próximos 15 dias a situação que já é preocupante irá agravar-se e poderá tornar-se crítica, porque não há serviço de saúde, por mais sofisticado que seja, que resista a este ritmo exponencial de crescimento de casos, com os recursos humanos esticadinhos ao limite”, disse ao Expresso.