Foi uma mera coincidência mas até o facto de o Sporting se ter apresentado pela segunda vez em dois dias seguidos na Choupana com o equipamento alternativo branco mostrou de forma mais clarividente as dificuldades que leões e insulares iriam enfrentar para superar as condições de um relvado que acabou por ceder ao meu tempo que tem assolado a Madeira nos últimos dias. No final, a equipa verde e branco levou a melhor frente ao Nacional e manteve os quatro pontos de avanço na liderança do Campeonato, garantindo assim que estará sempre na frente na próxima jornada e que, em caso de vitória diante do Rio Ave, pode ganhar pontos a FC Porto e/ou Benfica.

Choveu a Pote(s) mas o Sporting não afundou numa Choupana totalmente alagada. A crónica do Nacional da Madeira – Sporting

“Foi um jogo bem conseguido da nossa parte. Tentámos o melhor numa partida difícil em que não dava para jogar. Foi uma vitória no sacrifício e no espírito de equipa, só assim é que se fazem guerreiros. Temos de dar mérito a esta equipa e também ao Nacional, pois com este tempo é difícil jogar. São mais três pontos que valem seis por ter sido num campo como este, sempre difícil ganhar”, destacou Nuno Santos, autor do primeiro golos do encontro já perto do intervalo, antes de abordar também os últimos dias para os leões. “Tentámos aterrar no Funchal mas não nos deixaram e ontem não jogámos por causa do clima. Hoje foi no esforço que conseguimos a vitória. Viemos cá para ganhar pois em todos os jogos temos esse objetivo”, recordou o extremo contratado no verão ao Rio Ave.

Também Rúben Amorim elogiou a entrega dos jogadores num triunfo confirmado pelo suplente Jovane Cabral (o que colocou os leões como a equipa com mais golos marcados saídos do banco), numa vitória que confirmou o 18.º encontro consecutivo esta temporada a marcar, algo que não acontecia há 45 anos, e também a quarta melhor pontuação à 13.ª jornada do Campeonato. Todavia, também o treinador principal do conjunto verde e branco não esqueceu os capítulos que se viveram antes do encontro, sobretudo na viagem para a Madeira.

“Estão cada vez melhor no entendimento daquilo que o jogo está a pedir. Não tenho palavras para a atitude destes jogadores, tenho um orgulho enorme em ser treinador deste grupo. Agora, são mais três pontos e temos de continuar a trabalhar. Fisicamente estiveram muito bem, são muito bem acompanhados e estavam preparados para um jogo difícil”, destacou, antes de assumir a mudança de estratégia quase como uma “lição” do jogo recente no Jamor com o Belenenses SAD: “Sabendo que não se pode jogar da mesma maneira, a favor e contra o vento, quando se está no ataque é melhor bolas mais cruzadas e depois contar com a inteligência deles. Têm de perceber as características dos colegas, do que o jogo está a pedir e de ser mais fortes dentro do terreno. E fomos isso”.

“Antes do jogo foi uma fase algo estranha. Sabíamos da tempestade, do alerta vermelho e mesmo assim viemos. Não conseguimos aterrar, foi difícil dentro do avião e depois aterrámos em Porto Santo. Tivemos muitas chamadas da Liga, da Dra. Helena, uma pressão enorme que parecia que nós é que não queríamos aterrar. Ontem [Quinta-feira] sofremos outra vez muita pressão como se fossemos nós que não queríamos jogar. Como se provou hoje, apesar do vento, queríamos. O futebol é de inverno mas não havia condições. Mesmo hoje as condições não foram as ideais, com muito vento. Preparação para a Taça de Portugal? A preparação é recuperar. Arranjar condições, arranjar campos. A estrutura é boa e aparece tudo feito. Segunda-feira lá estaremos para jogar porque não podemos mexer no calendário. Em relação aos festejos é muito o espírito deles, têm noção do clube, do que foi o início, que foi difícil. Não querem voltar a sofrer isso”, concluiu o treinador da equipa verde e branca.