Num ano normal, o grupo germânico Volkswagen AG, que inclui marcas como a VW, Audi, Seat, Skoda e Porsche, além das mais refinadas Bentley, Lamborghini e Bugatti, movimenta 2,8 milhões de veículos por esse mundo fora. Normalmente, a maioria das deslocações deste tipo é assegurada por enormes navios concebidos especificamente para o transporte de veículos, que gastam até 300 toneladas por dia de um combustível muito mais poluente do que o gasóleo comum, mas mais barato. Não é o caso da VW.

Apostado em reduzir o impacto ambiental de toda a sua actividade, depois de investir fortemente nos veículos eléctricos e na alimentação das suas fábricas com uma maior percentagem de energia renovável, o grupo alemão concentrou-se agora nas 7700 deslocações de navios que anualmente transportam os seus modelos, visitando, entre outros locais, o porto de Setúbal, de onde saem os T-Roc fabricados na Autoeuropa.

Dois dos navios ao serviço da VW, o Confucius e o Aristotle, ambos com 200 metros de comprimento e capacidade para deslocar 4800 automóveis, pertencem à norueguesa Siem e, em vez de queimarem gasóleo pesado, trabalham a gás natural liquefeito, com grandes vantagens em matéria de emissões, ainda que com custos superiores. O gás natural utilizado em navios, segundo a MAN, reduz entre 90 e 95% do enxofre e entre 20 e 25% do CO2.

Mas a VW usa outros dois navios de transporte, pertencentes à empresa alemã F. Laeisz, que servem os portos europeus, incluindo o de Setúbal. Com 180 metros de comprimento e uma capacidade para 3500 veículos, estes barcos consomem um líquido produzido pela Good Fuels, conhecido como MR1-100. Trata-se de um combustível neutro em termos climáticos, consistindo essencialmente em restos de óleos vegetais provenientes da indústria alimentar, maioritariamente óleo de fritar batatas e afins. De acordo com a Good Fuel, este combustível corta até 90% do CO2 emitido e anula por completo as emissões de enxofre, além de reduzir em 37% os óxidos de azoto (NOx) e em 60% as partículas.