Não foi por Bernardo Silva que o Manchester City teve um arranque de temporada muito intermitente e com vários resultados negativos à mistura mas também foi por esse momento do Manchester City que Bernardo Silva teve um arranque de temporada muito intermitente e com várias exibições abaixo do normal. Aliás, as contas são fáceis de fazer: se em condições normais, pelo histórico e influência na equipa, deveria ser o português mais falado do clube, a verdade é que passou para um terceiro plano, não só pelas grandes exibições de João Cancelo como lateral direito ou esquerdo mas também pela estabilidade defensiva que Rúben Dias deu à defesa com John Stones. Agora, na Taça de Inglaterra, todos voltaram a ser titulares mas foi o esquerdino que resgatou todos os holofotes.

Em apenas 15 minutos, Bernardo Silva, que não marcava há seis meses num total de 182 dias sem festejar (11 de julho, frente ao Brighton), bisou e praticamente resolveu o encontro frente ao Birmingham: primeiro aproveitou um corte incompleto da defesa contrária para rematar com nota artística ao ângulo da baliza de Prieto num lance que deixou Guardiola de braços no ar pelo gesto técnico do pontapé (8′), depois concluiu de pé direito na área após grande jogada ente Mahrez e Kevin de Bruyne (15′). Ainda antes do intervalo, Phil Foden aumentou a vantagem para 3-0 num encontro de sentido único e que nunca teve propriamente muita história (33′).

Esta foi apenas a segunda vez que o internacional marcou mais do que um golo num jogo pelo Manchester City, depois do hat-trick na goleada ao Watford por 8-0 na última temporada. E ainda teve a oportunidade de repetir essa façanha, com mais um remate com muito perigo no segundo tempo, ainda que o ritmo tenha sido diferente até pelas saídas ao intervalo de João Cancelo, Rúben Dias e, sobretudo, Kevin de Bruyne, que continua a ser a grande referência da equipa do meio-campo para a frente e um elemento do qual Guardiola nunca prescinde.

Com um jogo adiado pelo meio pelos vários casos de Covid-19 que assolaram o plantel, o City confirmou também o melhor momento da temporada com a quinta vitória consecutiva entre Premier League, Taça de Inglaterra e Taça da Liga, onde conseguiu assegurar presença na final após derrotar o Manchester United em Old Trafford. E isto num dos ciclos mais complicado, onde defrontou, além dos red devils, Southampton, Arsenal, Newcastle e Chelsea. A equipa terá agora três jogos seguidos em casa, frente a Brighton, Crystal Palace e Aston Villa, todos a contar para a Premier League, que em caso de triunfo irão colocar o conjunto de Guardiola nos lugares cimeiros.