Alexey Navalny, principal líder da oposição ao regime de Vladimir Putin na Rússia, envenenado com um agente neurológico durante um voo doméstico em agosto do ano passado, considerou que a expulsão permanente de Donald Trump do Twitter é “um ato de censura”.

Numa mensagem publicada ao longo de onze tweets, Alexey Navalny argumentou que a decisão de eliminar a conta de Donald Trump naquela rede social foi “baseada em emoções e em preferências políticas pessoais”: “Não me digam que ele foi banido por violar as regras do Twitter. Recebo ameaças de morte aqui todos os dias há muitos anos e o Twitter não baniu ninguém”, apontou.

O político russo notou ainda que Vladimir Putin e Nicolás Maduro, que classificou de “assassinos insensíveis”, e o “mentiroso e ladrão” Dmitri Medvedev, continuam a ter espaço na rede social, que o presidente da Rússia usará como “uma fábrica de trolls” para manter acordado um regime autoritário naquele país. Por isso, Alexey Navalny sugere a criação de um comité no seio do Twitter para tomar decisões como esta de modo independente.

Para o líder da oposição russa, apesar das informações falsas e dos incitamentos à violência que Donald Trump publicou no passado, nesta altura já “pagou por isso ao não ser reeleito para um segundo mandato”. “A eleição é um processo direto e competitivo. Pode-se participar, pode recorrer-se aos resultados, que são monitorizados por milhões de pessoas. A proibição do Twitter é uma decisão de pessoas que não conhecemos de acordo com um procedimento que não conhecemos”, afirmou.

Apesar de assumir o direito do Twitter, enquanto empresa privada, para tomar decisões desta natureza unilateralmente, Alexey Navalny diz temer que a expulsão do presidente dos Estados Unidos venha a alimentar posições políticas mais extremadas. O caso “abre um precedente” que pode permitir aos regimes ter um argumento para silenciar quem lhes incomoda porque “é uma prática comum, até o Trump foi bloqueado no Twitter”, defendeu.