Dias antes de terminar o mandato, a administração de Donald Trump voltou a recolocar Cuba na lista de países que são considerados apoiantes do terrorismo, revelou o secretário de estado, Mike Pompeo, na sua conta pessoal do Twitter. Esta ação contraria uma decisão de Barack Obama de 2015, que tinha retirado o título ao país.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodriguez, criticou o “oportunismo político” da administração do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. “Condenamos a designação cínica e hipócrita de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo anunciada pelos Estados Unidos da América. O oportunismo político desta ação é reconhecido por todos os que estão realmente preocupados com o flagelo do terrorismo e as suas vítimas”, escreveu o chefe da diplomacia cubana na plataforma social Twitter.

Segundo o Wall Street Journal, Mike Pompeo justificou a medida com o facto de as autoridades cubanas terem concedido refúgio a um norte-americano condenado pelo assassinato de um soldado em 1973. Além disso, quando chegam ao país das Caraíbas, estes fugitivos recebem o estatuto de refugiado político e desfrutam de alojamento gratuito, cuidados de saúde e outros benefícios por parte de Cuba, que insiste que os EUA não têm “base moral ou legal” para exigir o seu regresso.

O contínuo apoio de Cuba ao terrorismo no hemisfério ocidental deve ser travado. Esta segunda-feira, os Estados Unidos voltam a colocar Cuba na lista de Estados que apoiam o terrorismo para responsabilizar o regime de Castro pelo seu comportamento maligno”, escreveu o secretário de Estado na plataforma social Twitter, referindo-se aos antigos líderes cubanos Fidel e Raúl Castro.

A partir do momento em que um país é colocado na lista norte-americana de apoiantes de terrorismo (que inclui a Coreia do Norte, a Síria e ou o Irão, entre outros), essa ação tem efeitos imediatos nas relações bilaterais entre os países. Os EUA deixam de poder fornecer assistência a esses territórios e deixam de exportar ou vender produtos de defesa para os mesmos.

Barack Obama, antigo Presidente norte-americano, tinha relançado as relações diplomáticas entre Cuba e os EUA, após anos de costas voltadas. O senador Patrick Leahy, um dos principais impulsionadores na melhoria de relações entre os dois países, considera que “há diferenças com as autoridade cubanas sobre fugitivos da justiça”, mas realça que o Mike Pompeo  “não tem feito nada de construtivo para resolver o problema por quatro anos e isto só tornará ainda mais difícil de o resolver”.

Desde 1960 até 2016, os Estados Unidos mantinham um embargo económico ao país das Caraíbas. A tensão entre os dois países começou em meados dos anos 50 devido à Revolução Cubana. Após a consolidação de um regime parecido ao da União Soviética, Cuba tornou-se um aliado de Moscovo, a principal antagonista dos EUA num contexto de um mundo dividido entre duas potências.

Cuba já tinha sido colocada na lista de países que apoiam o terrorismo desde 1982, tendo sido retirada em 2015.