Conhecido pela admiração que nutria pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos comentários a negar a gravidade da pandemia, Stanley Gusman, apresentador da TV Alterosa, do Estado de Minas Gerais, morreu este domingo com uma infeção secundária provocada pela Covid-19.

Tinha 49 anos e há menos de um mês tinha aparecido no seu programa, de crónica policial, a discordar do prefeito de Belo Horizonte, que pediu parcimónia aos cidadãos nos festejos de Natal e fim de ano.

“Eu vou visitar meu pai, vou visitar minha mãe. Não vou matá-los. Acho um desrespeito o senhor [prefeito] falar isso. Não mexa com a minha família. Vou defender os meus pais e o meu país”, disse o apresentador, natural de BH, no Alterosa Alerta, o programa que apresentava, no canal com o mesmo nome, associado do SBT no estado de Minas Gerais. Cinco dias mais tarde, começou a sentir os primeiros sintomas da doença, detalhou o El País.

Antes de ser internado, a 4 de janeiro, com dificuldades respiratórias, Stanley Gusman estaria a ser tratado com hidroxicloroquina, o medicamento que a OMS desaconselhou no tratamento para a Covid-19, por não existirem provas científicas sobre a sua eficácia, mas que o presidente brasileiro tem recomendado e promovido em inúmeras ocasiões. De acordo com vários dos seus colegas no Alterosa, antes de ser hospitalizado, Stanley, que era casado e tinha um filho, estava confiante na recuperação.

Influencer achava que a Covid-19 não existia, mas adoeceu e morreu em poucos dias

Segundo o El País, dias antes de adoecer, o apresentador tinha participado, com o diretor de informação do canal, num direto sobre a pandemia, durante o qual ambos se assumiram contra a vacinação para a Covid-19 e chegaram mesmo a dizer que as mortes no país, o segundo mais fustigado pela pandemia no mundo (204.726 pessoas já perderam a vida) estavam a ser “manipuladas e forjadas pelos grandes media”.

Bem antes disso, Gusman já se tinha destacado por minimizar a gravidade da doença e por recusar as medidas de distanciamento social recomendadas. No Alterosa Alerta, chegou a garantir que nunca aceitaria ser sujeito a controlos de medição de temperatura à entrada para estabelecimentos comerciais — os termómetros com infravermelhos causavam danos cerebrais, justificou. Também era assumidamente contra o uso de máscara e, no ecrã, desvalorizou várias vezes as campanhas a apelar à permanência dos cidadãos em casa.