A capacidade das plantas para absorver quase um terço das emissões de carbono causadas pela atividade humana pode ser reduzida para metade nas próximas duas décadas, o que acelerará o aquecimento global, segundo um estudo divulgado esta quarta-feira.

Utilizando mais de duas décadas de dados medidos em grandes biomas do mundo, o estudo, publicado na revista científica “Science Advances”, identificou um ponto crítico de temperatura além do qual a capacidade das plantas em capturar e armazenar carbono atmosférico (sumidouro) começa a diminuir.

A previsão baseia-se no ritmo atual de crescimento de emissões de gases com efeito de estufa e foi feita por investigadores de universidades dos Estados Unidos (Universidade do Norte do Arizona – NAU) e Nova Zelândia (Universidade de Waikato) e do “Woodwell Climate Research Center”, uma organização norte-americana que investiga as alterações climáticas.

A biosfera terrestre é a grande responsável pela “respiração” da Terra, consumindo dióxido de carbono e libertando oxigénio, através da fotossíntese. Até agora a biosfera tem absorvido mais carbono do que aquele que liberta, mitigando as alterações climáticas.

Os investigadores descobriram que à medida que aumenta a temperatura global a absorção de carbono pelas plantas vai sendo menor. A principal autora do estudo, Katharyn Duffy (da NAU), notou diminuições acentuadas na fotossíntese acima de um determinado limiar de temperaturas em quase todos os biomas do planeta.

A Terra está com um constante aumento de febre e como no corpo humano sabemos que cada processo biológico tem uma determinada temperatura para funcionar de forma perfeita e que acima dessa temperatura a função se deteriora”, exemplificou a investigadora.

Os investigadores das três instituições descobriram que os “picos” de temperatura para a absorção de carbono (que vão de 18 a 28 graus celsius consoante as plantas) já estão a ser ultrapassados em vários locais, mas não estão a ser compensados pelas plantas, que vão diminuir a fotossíntese.

Os diferentes tipos de plantas variam nos detalhes das respostas às temperaturas, mas todos mostram declínios na fotossíntese quando fica demasiado quente”, segundo outro dos autores da investigação, George Koch, também da NAU.

Atualmente, dizem os investigadores, menos de 10% da biosfera terrestre está exposta a temperaturas além do máximo fotossintético, mas, avisam, ao ritmo atual de emissões até metade da biosfera terrestre poderá ter temperaturas além desse limiar de produtividade até meados do século. E aqui incluem-se biomas como as florestas tropicais da Amazónia ou do Sudeste Asiático, ou a taiga da Rússia e do Canadá.