Uma das grandes diferenças entre Maurizio Sarri e Andrea Pirlo no início da temporada passou pela abordagem inicial que ambos tiveram com Cristiano Ronaldo. Sarri, acabado de ganhar o primeiro troféu da carreira com o Chelsea (Liga Europa), quis ir falar com o português que estava de férias mal aterrou em Turim para lhe dizer que gostava de colocá-lo mais na área para ultrapassar a barreira dos 40 golos e atingir novas metas; Pirlo, esse, sem a experiência de técnico mas com a vivência de jogador bem presente, preferiu discutir com o português a melhor forma de gerir o desgaste físico ao longo da temporada numa época onde cumpre em fevereiro 36 anos. E é aqui que entra Massimiliano Allegri, o antecessor de ambos. E porquê? Com o antigo técnico, jogo de Taça era sinal de poupança do avançado de forma aberta; agora, face às ausências e aos resultados, nem uma palavra.

“É um jogo importante, o início de uma nova competição para nós. No início, as pessoas podem achar que a Taça de Itália não tem interesse mas quando chegam à final, todos gostam. Vi alguns jogos do Génova, que tem uma outra intensidade desde que Davide Ballardini chegou ao comando, e jogam de forma mais ofensiva. Preparámos o jogo para essas dificuldades. Da nossa parte, estamos a ver quem está em boas condições e como se encontram os lesionados. Posso dizer que o Chiellini vai voltar e que o Buffon vai ser titular. Redescobrimos a nossa concentração e não temos tantos altos e baixos nos jogos”, comentou Pirlo na antecâmara do encontro, sem falar na possibilidade de poupar ou não Ronaldo antes de um jogo fulcral na Serie A em Milão frente ao Inter.

Para já ainda não há cansaço. No futuro, quando houver jogos menos importantes ou o resultado estiver feito, trataremos da sua recuperação. Ele é um rapaz inteligente e conhece o seu corpo, sabe quando é melhor parar ou não”, tinha referido o treinador dos bianconeri em setembro, no início da época após a vitória com a Sampdória, projetando aquilo que seriam os próximos meses.

O português continua a fazer a melhor temporada desde que chegou a Turim, tendo marcado três golos nos últimos três jogos do Campeonato em que a equipa somou outros tantos triunfos muito importantes para recuperarem na classificação frente a Udinese (4-1), AC Milan (3-1) e Sassuolo (3-1). Em condições normais, este seria um daqueles compromissos em que poderia descansar mas não só a Juventus continua sem convencer a 100% em termos de regularidade de resultados e exibições como as ausências eram muitas entre Cuadrado, Alex Santos, De Ligt (infetados com Covid-19), Dybala (lesionado), McKennie e Chiesa (em dúvida). Assim, e por uma questão de precaução, Ronaldo ficou no banco. Tal como Félix Correia, extremo formado no Sporting que trocou este verão o Manchester City pela equipa Sub-23 dos bianconeri e que foi chamado pela primeira vez à equipa A.

Kulusevski, Morata e Portanova surgiram assim como principais unidades ofensivas e chegaram e sobraram para as encomendas na primeira meia hora: o extremo sueco inaugurou o marcador logo no segundo minuto de jogo, após um grande passe de Chiellini, e o avançado espanhol apontou o 2-0 aos 23′, num jogo que parecia ter a sua história contada e que teve ainda mais dois golos anulados à Juventus. O máximo que o Genóva conseguiu fazer foi reduzir antes do intervalo, com Czyborra a reduzir no único remate à baliza na primeira parte (28′).

Apesar do golo sofrido, a Vecchia Signora, com Rabiot no lugar de Betancur ao intervalo, manteve o controlo do encontro mas a falta de objetividade no último terço fez com que os visitantes fossem ganhando outro à vontade, reforçado com um remate de Pjaca à trave da baliza de Buffon (53′). Pirlo ainda trocou Demiral e Chiellini, que foram titulares após longas ausências, por Danilo e Bonucci mas o Génova chegou mesmo ao empate com um grande golo de Melegoni (74′) e Ronaldo foi lançado ainda aos 88′ para jogar o prolongamento, onde a Juventus ganhou outro poder ofensivo e chegou mesmo à vitória e à qualificação com um golo de Rafia aos 104′.