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Um estudo de uma organização que monitoriza a violência política divulgado esta quinta-feira mostra que há três vezes mais de probabilidades de a polícia norte-americana usar força contra manifestantes de esquerda do que contra os de direita.

“A polícia não se envolve mais por serem mais violentos [os manifestantes de esquerda]. Eles envolvem-se mais mesmo com manifestantes pacíficos”, disse o diretor de pesquisa e inovação da organização que levou a cabo o estudo, Roudabeh Kishi, ao The Guardian.

Desde abril, a polícia norte-americana utilizou gás de pimenta, balas de borracha e espancamentos em 511 protestos de apoiados por forças de esquerda, enquanto que esse número diminui para 33 nas manifestações organizadas por movimentos de direita, segundo o mesmo estudo.

Barack Obama, ex-Presidente dos EUA, já tinha utilizado, a 8 de janeiro, dados de uma versão anterior do estudo para comparar a resposta às manifestações que aconteceram desde maio em memória de George Floyd (organizado pelo movimento Black Lives Matter) e a resposta que foi dada à invasão dos apoiantes pró-Trump ao Capitólio.

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Para além disso, a mesma análise também concluiu que a polícia é mais propensa a intervir em protestos de esquerda do que nos de direita. E que em metade das vezes que as forças de seguranças intercederam em manifestações de esquerda utilizaram violência. Já nas de de direita, a polícia só utilizou a força em um terço das vezes.

A organização ACLED, que levou a cabo o estudo, analisou cerca de 13 mil protestos nos EUA desde abril.