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O fato de treino tornou-se quase uma imagem de marca nos primeiros jogos de Rúben Amorim pelo Sporting. Isso e, pela obrigatoriedade regulamentar, a máscara. A passagem dos meses e a evolução da temperatura fez com que o equipamento fosse mudando. Tudo menos a máscara, claro. Até hoje. E esse pormenor meramente simbólico fez toda a diferença nas movimentações do treinador leonino, que já esteve fora do banco, já tinha autorização para dar indicações aos seus jogadores sem incorrer em qualquer infração e, acrescente-se, podia dispensar a máscara. Apesar de, na ficha de jogo no site oficial da Liga de Clubes, ainda surgir Emanuel Ferro como técnico principal quando foram conhecidas as equipas, na folha distribuída pelos jornalistas já surgia o nome de Rúben Amorim.

O mágico deixou cair a máscara e a equipa fez o truque do desaparecimento (a crónica do Sporting-Rio Ave)

O facto de estar inscrito no nível 4 do curso de treinadores a decorrer na Federação Portuguesa de Futebol fez com que o treinador verde e branco, no comando desde o início de março, possa assumir na íntegra esse “novo” papel. José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, fez uma analogia discordando dessa situação, dizendo que “quem está a tirar a carta de condução ainda não está apto a conduzir”. Antes do jogo, Rúben Amorim tinha respondido na mesma onda de raciocínio: “O Miguel Oliveira não a tem carta de mota e safa-se muito bem na sua vida. Eu quero é ganhar o jogo com o Rio Ave…”. Mas faltou essa parte.

Com mais um golo marcado por um jogador que passou por Alvalade, neste caso Gelson Dala e numa jogada com Francisco Geraldes e Carlos Mané, o Sporting cumpriu a sexta época na história sem derrotas à 14.ª jornada (sendo que apenas metade valeu o título no final da temporada) mas pela primeira vez esta época não ganhou em dois jogos consecutivos, num empate que só não teve mais efeito pela igualdade no clássico entre FC Porto e Benfica. Contudo, e passando ao lado de questões de arbitragem, Amorim admitiu de novo erros dos leões.

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“Na primeira parte estava difícil, controlámos, procurámos melhores espaços e fizemos o mais difícil, que era marcar. No segundo tempo queríamos que o Rio Ave saísse mais, não era preciso arriscar tanto mas perdemos o controlo do jogo logo no início. Sofremos o golo, tentámos ir [à procura] mas houve muitas quebras que não deixaram criar tantas situações como queria. Só podemos queixar-nos de nós próprios por não levar uma vitória”, começou por referir Rúben Amorim na sua primeira flash interview da carreira após um jogo oficial.

Mas, afinal, o que se passou nesse lapso de tempo que permitiu ao trio Francisco Geraldes, Carlos Mané e Gelson Dala o golo do empate? “Não sei dizer ao certo, foi toda a gente… Devíamos entrar mais concentrados. Com o golo pensaram [os jogadores] que ficou mais fácil e pagámos caro e quando quisemos depois dar a volta já não conseguimos”, acrescentou o técnico leonino, passando ao lado de um lance passível de grande penalidade por falta de Fábio Coentrão sobre Coates não assinalada nem por Hélder Malheiro nem pelo VAR. “Não vi. A minha preocupação é melhorar a equipa e o início da segunda parte”, sublinhou Rúben Amorim, que admitiu não ter a melhor estreia na condição de número 1 da equipa técnica verde e branca por falhar o objetivo da vitória.

“Prefiro estar sentado e ganhar o jogo do que isto mas já passou, já não é uma questão. Agora é melhorar e pensar no próximo jogo”, concluiu o técnico, ainda na zona de entrevistas rápidas da Sport TV.

“Os jogadores não têm de pensar que têm de dar uma boa resposta, têm de fazer o que treinam e o que temos de fazer em todos os jogos. Depois destes resultados, penso que não há melhor jogo do que o FC Porto numa meia-final [da Taça da Liga]. São fases e isto muda de um momento para o outro. Temos de levar isso assim, não encontrar grandes problemas onde não há. Tivemos estes dois resultados, mas estamos em primeiro lugar. Temos de olhar para o lado positivo”, acrescentaria mais tarde na conferência de imprensa.