Normalmente a lista de prioritários na lista para a vacinação contra a Covid-19 da maior parte dos países inclui idosos, trabalhadores de lares e profissionais que estão na linha da frente. A Indonésia, no entanto, decidiu que um dos grupos que devia receber primeiro o imunizante seria… o dos influenciadores digitais.

A vacinação para Covid-19 começou esta quarta-feira e o Presidente Joko Widodo também tomou a vacina. Momentos depois foi a vez de Raffi Ahmad – um influencer e personalidade televisiva que tem cerca de 50 milhões de seguidores na rede social Instagram — receber a vacina: “Não tenham medo da vacina”, apelou o influenciador digital nas suas redes sociais.

O objetivo foi bem delineado. O ministro da saúde, Siti Nadia Tarmizi, afirmou que incluir os influenciadores digitais no grupo prioritário para receber a vacinação para a Covid-19 iria aumentar a confiança da população no imunizante, relata a Reuters.

“Esperemos que transmita uma influência positiva”, disse Ahyani Raksanagara, um dos responsáveis pela campanha. E uma sondagem pode justificar a inclusão dos influencers na lista prioritária de vacinação — 37% dos indonésios quer vacinar-se, 40% pondera fazê-lo e 17% rejeita por completo a ideia.

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Mas a decisão não foi recebida de forma unânime. Principalmente após Raffi Ahmad ter sido apanhado a participar numa festa depois de ter recebido a primeira toma da vacina (que não garante a imunização). “Isto mostra a inconsciência do governo em priorizar quem deve receber a vacina primeira”, critica Irma Hidayana, cofundadora da iniciativa LaporCovid-19.

Para Zubairi Djoerban, a estratégia só resultaria se os influencers “fossem informados sobre a vacina e a Covid-19 e pudessem ser agentes de mudança”.

O influenciador digital está agora a ser investigado pela polícia.