Nas últimas horas do primeiro fim de semana do novo confinamento geral decretado pelo Governo – e com os hospitais à beira de atingir o limite da capacidade de internamento e assistência aos doentes com Covid-19 – Luís Marques Mendes criticou este domingo a demora do executivo de António Costa em aplicar medidas de restrição mais cedo.

“Não havia razão nenhuma para que as medidas que o Governo anunciou esta semana não tivessem sido anunciadas na semana passada. Elas estavam prontas. Fica um bocadinho a sensação de que quando são medidas simpáticas o Governo decide sozinho, como no Natal, quando são medidas impopulares precisa do respaldo dos técnicos. Perdeu uma semana aqui. Pode parecer pouco tempo, nesta matéria de saúde é uma eternidade”, atirou Marques Mendes este domingo, no habitual espaço de comentário na SIC.

O comentador fez ainda referência ao “facilistismo que houve por parte do Governo”, referindo-se ao alívio das medidas de restrição na altura do Natal. “Esse facilitismo ajudou muito nesta situação. Essa falta de coragem deu também nisto”, concluiu.

Sobre o Conselho de Ministros extraordinário convocado para esta segunda-feira, Marques Mendes partilhou expectativas em como o executivo de António Costa vai reavaliar as exceções ao recolhimento domiciliário. “Só por sorte é que estas medidas são suficientes para a situação dramática em que estamos. Há exceções a mais nestas medidas”, referiu. “Com este mini confinamento não resolvemos o problema dos hospitais. Se [o Governo] vai reunir amanhã para reavaliar a situação, devia também avaliar com muito mais rigor as exceções que criou na semana passada, diminui-las. As pessoas estão a ter uma interpretação muito criativa, muito alargada”, rematou.

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Numa nota deixada sobre a campanha dos diferentes candidatos às eleições presidenciais, o comentador da SIC optou por destacar João Ferreira, candidato do PCP, como responsável pela “campanha mais profissional de todas”. Para André Ventura reservou a nota mais negativa — classificou de “inqualificável” os insultos dirigidos ao líder comunista, Jerónimo de Sousa, entre outros.

Em jeito de antevisão dos resultados das presidenciais, recordou ainda os receios de uma “abstenção estratosférica”, ou seja, que pode chegar aos 70%. “Preparemo-nos para um presidente eleito com cerca de um quarto dos votos. Isto não reduz a sua legitimidade, mas é um mau sinal para a democracia”, concluiu.