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“Ele tem vindo a treinar de forma individual. Esta tarde [de sábado] deverá ser integrado no grupo e depois vamos ver. A última palavra é dele porque é ele que conhece melhor o corpo dele. Ainda assim, temos esperança de contar com o Messi neste jogo. Sem ele, é óbvio que nos vai faltar alguma coisa mas vamos sempre tentar colocar o nosso jogo em prática”, dizia Ronald Koeman no lançamento da final da Supertaça entre o Barcelona e o Athl. Bilbao. Tal como antes, durante e depois do triunfo nas grandes penalidades frente à Real Sociedad, o argentino era o principal tema de conversa e análise na realidade catalã. E os números também explicavam essa tendência.

Bolas nos postes, um golo invalidado mas o mal estava feito: Athl. Bilbao afasta Real da final da Supertaça

Depois de um início de temporada claramente marcado por toda a polémica em torno de uma saída que nunca veio a acontecer e pela demora na obtenção da melhor forma física, o número 10 foi sendo opção sempre certa no onze à exceção de alguns encontros da Liga dos Campeões quando as contas do apuramento já estavam resolvidas mas longe dos registos habituais em 15 temporadas nos seniores no Barcelona. No entanto, e a partir das duas derrotas seguidas com Cádiz e Barcelona, o rendimento subiu a pique e marcou sete golos noutros tantos jogos, com seis vitórias e um empate para os catalães. Em pouco tempo, os blaugrana chegavam-se aos lugares da frente na Liga. Em pouco tempo, Messi saltava para a liderança dos melhores marcadores da Liga. E a época que começara de forma atípica já se aproximava mais da normalidade, com 14 golos em 21 jogos até esta Supertaça.

500 jogos na Liga, 451 golos, 185 assistências: Messi continua a fazer história pelo Barcelona (mesmo em final de contrato)

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Apesar de ter recuperado a 100% (ou pelo menos o suficiente para jogar), o capitão passou quase sempre ao lado da final, ficou apenas perto de marcar num livre direto e nem os dois golos de Antoine Griezmann, o patinho feio do ataque que virou cisne, foram suficientes para ganhar o troféu perante uma defesa que voltou a meter muita água e que permitiu que os bascos nunca tivessem perdido a crença na vitória final. E para piorar ainda mais o cenário, Messi foi expulso com vermelho direto após agressão a Villalibre no final do prolongamento. Depois de ganhar ao Real Madrid nas meias, o Athl. Bilbao derrotou o Barcelona e venceu de forma justa a Supertaça, num encontro que ficará também marcado pela primeira expulsão de sempre do argentino na carreira.

O triunfo, esse, foi sobretudo assente na eficácia num encontro com muito de parada e resposta: já depois de Ter Stegen ter feito uma grande intervenção a remate do lateral Ander Capa (26′), Lionel Messi desbloqueou o espaço necessário para Jordi Alba cruzar da esquerda e Griezmann aproveitar uma bola perdida na área para fazer o 1-0 de primeira (40′) mas o Athl. Bilbau empatou apenas dois minutos depois, com De Marcos a surgir bem entre os centrais catalães para concluir da melhor forma a assistência do “maratonista” Iñaki Williams.

No segundo tempo, os bascos continuaram a equilibrar o encontro, nunca permitiram que o Barcelona fizesse da maior posse um maior domínio do jogo e chegaram mesmo a marcar por Raúl Garcia, num lance que acabou por ser anulado por posição irregular. No entanto, em mais uma jogada pelo corredor esquerdo e tendo Jordi Alba como protagonista, Griezmann bisou na área após cruzamento do lateral e deixou os blaugrana com uma mão no troféu. Uma mão que se tornou uma e meia com o passar dos minutos, uma mão e meia que saiu de cena em cima do minuto 90, com Villalibre a subir à área numa bola parada para fazer o empate ao cair do pano.

Todas as decisões iam para prolongamento e foi aí que apareceu o génio de Iñaki Williams, o recordista de jogos consecutivos na Liga que já se tinha destacado a assistir e que brilhou também a marcar, com um remate fantástico em arco ao ângulo descaído sobre o lado esquerdo da área que não deu hipóteses a Ter Stegen, o Homem Aranha do Barcelona que faz tudo menos milagres (93′). E nem mesmo a pressão final dos catalães com mais unidades na frente de ataque (Trincão e Braithwaite) foi suficiente para impedir a vitória final do Athl. Bilbao.