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A Comissão Federal de Comunicações (FCC), a quem cabe regular as emissões electromagnéticas de todo o tipo de radares, recebeu um pedido da Tesla para autorizar o uso de um novo tipo de radar de ondas milimétricas no sistema de Autopilot da marca. A finalidade é incrementar a capacidade deste sistema de condução autónoma, que a marca quer fazer evoluir de Nível 2 para os escalões seguintes.

Há, essencialmente, duas formas de conseguir reunir dados suficientes para alimentar os processadores dotados de inteligência artificial que garantem que um veículo consegue deslocar-se do ponto A ao ponto B sem necessitar de condutor. Todos usam radares, mas um recolhe informações sobre as condições em torno dos veículos, confiando nas câmaras e maioritariamente nos LiDAR, enquanto o outro opta por associar as câmaras a mais radares, privilegiando as imagens. A opção da Tesla foi a segunda, uma vez que Elon Musk e os seus engenheiros não acreditam nos LiDAR, que essencialmente são um sistema de detecção óptica com recurso a um emissor de laser, cuja eficiência em más condições de visibilidade (poeira, nevoeiro e chuva) deixa a desejar.

A Tesla, que já usa câmaras de alta definição e radares, pretende agora melhorar estes últimos, na essência um emissor de ondas electromagnéticas que trabalha em vários comprimentos de onda específicos, consoante as necessidades da ocasião. Segundo o construtor, os novos radares são de um novo tipo – e daí um certo secretismo em torno do pedido de autorização – e funcionam no comprimento de onda milimétrico. Quer isto dizer que oscilam entre comprimentos de onda de 1 a 10 mm.

Não se conhecem ainda as especificações do novo tipo de radar milimétrico da Tesla, mas este tipo de radares consegue tradicionalmente um melhor nível de penetração em más condições de visibilidade, sendo pouco ou nada afectado por situações como nevoeiro, fumo ou chuva. A capacidade dos radares milimétricos em lidar com todo o tipo de condições meteorológicas, durante o dia ou a noite, fez deles os preferidos de várias indústrias, da militar à automóvel, uma vez que a maioria dos sistemas anticolisão recorrem a esta tecnologia que, por sua vez, se divide em radares de longo e curto alcance, com os primeiros a poderem detectar objectos até 200 m de distância.

Tesla milimeter wave radar by Alfredo Lavrador

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