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A indústria automóvel está consciente que os ecrãs tácteis são excelentes para passar informações a quem vai ao volante, permitindo controlar inúmeros sistemas e dispositivos com um simples toque. Mas, dependendo da operação em causa, obrigam os condutores a dedicar-lhes demasiada atenção, retirando os olhos da estrada e, no processo, incrementando o risco de acidente. Daí que se tenham vindo a desenvolver soluções já conhecidas mas que, graças aos avanços tecnológicos, começam a revelar um maior potencial.

Vem isto a propósito dos head-up displays, ou HUD, sistemas que projectam bem à frente dos olhos do condutor muita da informação de que necessita, especialmente ao nível da navegação, mas não só. De início, os HUD assumiam a forma de pequenos ecrãs escamoteáveis, fixados no tablier por cima do painel de instrumentos. Depois tornaram-se ligeiramente mais generosos, na dimensão e na quantidade de informação prestada, quando passaram a projectar os dados no pára-brisas.

Agora os HUD vão entrar numa terceira fase, suportada pela maior capacidade de computação a bordo de alguns veículos. Referimo-nos à realidade aumentada, em que o sistema aprende a antecipar as necessidades do condutor, dizendo-lhe o que ele necessita de forma graficamente mais atraente e legível, tanto mais que conta com uma área do pára-brisas que chega a atingir 50%. Evita-se assim que distracções possam ter consequências nefastas.

Habitualmente, não são os fabricantes de automóveis a desenvolver estes super HUD, mas sim os típicos fornecedores de material electrónico à indústria. No mais recente Consumer Electronics Show, em Las Vegas, EUA, a Panasonic revelou a sua mais sofisticada criação neste domínio. Usa inteligência artificial para adquirir experiência e evoluir continuamente e diferenciar a informação que é necessário projectar mais próximo do condutor, bem como mais longe.

Com a possibilidade de fornecer imagens 3D e definição 4K, este tipo de HUD permite que os condutores se concentrem no pára-brisas, em vez de na consola ou tablier. E se o veículo recorrer a um bom sistema de comandos por voz, então o número de situações em que o condutor tem de tirar os olhos da estrada diminui drasticamente.

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