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Os movimentos de aviões geridos pela NAV — Navegação Aérea foram de 357 mil no ano passado, o corresponde ao pior registo desde 1998, ou seja, o número mais baixo em 22 anos, de acordo com um comunicado da empresa de controlo aéreo.

Apesar de 1998 ter sido um ano de crescimento do tráfego, puxado pela Expo 98 que se realizou em Lisboa, a NAV refere que desde esse ano tinha se registado um crescimento anual praticamente constante até ao nível máximo atingido em 2019, quando foram contabilizados 816 mil voos. O movimento de 2020 representa uma queda de 58% face ao tráfego do ano anterior, superior à quebra verificada na rede da Eurocontrol para o mesmo período que foi de 55%.

Evolução anual dos movimentos de aviões no espaço aéreo controlado pela NAV

A evolução ao longo do ano foi respondendo ao agravamento e alívio das restrições à circulação de passageiros impostas por vários estados. Se em abril e maio, chegamos a ver quedas de mais de 90% no movimento dos aviões, estes números melhoraram no verão, com baixas na casa dos 55%. Os últimos meses “ficaram marcados por nova deterioração, tendência que se mantém nestes primeiros dias de 2021”.

O presidente da NAV admite que a situação causada pela pandemia “apanhou todos desprevenidos. Nunca ninguém julgou ser possível que a aviação chegasse à quase total imobilidade”, sublinha Manuel Teixeira Rolo, destacando contudo a capacidade de responder às condicionantes da pandemia e, em simultâneo, às exigências inadiáveis de transporte de material médico, voos de emergência e centenas de voos de repatriamento para vários países europeus”.

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O presidente da empresa pública, que assinala esta segunda-feira 22 anos (após a autonomização da ANA em 1998), deixa ainda a nota.

«Apesar de mesmo as previsões mais pessimistas terem sido dizimadas pela evolução do cenário pandémico, com quedas mais avultadas ao longo do ano que o inicialmente previsto, estimamos que este ano seja de alguma estabilidade».

De acordo com a previsão do Eurocontrol, que serviu também de base ao plano de reestruturação da TAP, o tráfego vai continuar muito abaixo do nível pré-pandemia este ano, ainda que se preveja uma aceleração da retoma no verão. Mas o regresso a valores próximos dos registados em 2019 só deverá ocorrer em 2024.