215kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia

O MEO ajuda-o a poupar, simule aqui.

"A lama não nos salpica". Ana Gomes munida de alecrim para combater quem "insulta e ameaça" /premium

"Situação muito complicada". Ana Gomes continua em campanha, numa escola e ETAR, mas aceita suspender se Governo o entender. Admite fim das aulas presenciais e diz que a lama dos outros não a salpica.

i

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Artigo em atualização ao longo do dia

Um ramo de alecrim é a arma perfeita contra o mau cheiro. Tira-se uma folha ou duas, coloca-se dentro da máscara de proteção individual e não há mau cheiro que ali entre. Ana Gomes visitava a estação de tratamento de águas residuais que serve os concelhos de Lisboa, da Amadora de Oeiras quando lhe foi dada a munição. Resultou para o cheiro mas não resultou para os pés que, aqui ou ali, iam pisando alguma lama. A metáfora faz-se sozinha: “Lama é coisa que não nos salpica”, disse a candidata, afirmando que está a fazer uma campanha “séria”, “económica” e transparente, prometendo publicar a lista de todas as despesas e de todos os donativos (que tinham um teto máximo de financiamento de 100 euros).

A primeira semana de campanha decorreu com alguns “insultos” e “ameaças” — “até aos jornalistas que estão também a trabalhar em condições difíceis” — mas a candidata socialista garante que não se deixa arrastar para essa lama. A referência era a André Ventura, que ontem acabou por se demarcar das ameaças e até atos de vandalismo que os jornalistas foram alvo após um jantar comício do candidato apoiado pelo Chega em Braga. “Eu não entro em guerras de alecrim e manjerona, a minha campanha é por uma democracia que saia mais forte e regenerada” no próximo domingo, disse, sublinhando que o candidato que “desceu o nível” (sem o nomear) “não ofende quem quer”.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

A lama existe, e não é só nos tanques da ETAR, onde há portugueses que continuam a trabalhar presencialmente “para os outros poderem confinar”. “Há lama que precisa de ser extraída de onde deixa mácula, mas como vivemos no tempo da economia circular, o melhor é reaproveitá-la”, foi dizendo aos jornalistas no final da visita, nos jardins do telhado verde, que compõem a paisagem ao longo de todo o edifício da ETAR.

[Ouça aqui a reportagem da Rádio Observador]

Ana Gomes “foge” da lama e “aproveita” o alecrim

Regenerar essa lama, isto é, “regenerar a democracia”, é uma das “razões” para que Ana Gomes considere “imprescindível ir votar”. “Porque estas eleições são importantes e eu não dou para esse peditório de quem as tentou desvalorizar”, disse. As críticas ao PS que não a apoiou já se tinham ouvido de manhã…

Falta de apoio? Ana Gomes poupa Costa, primeiro-ministro, e chuta culpas para PS

Ao fim de nove dias de campanha eleitoral, e já na reta final, é pouca ou nenhuma a máquina do PS que tem aparecido ao lado de Ana Gomes para impulsionar a candidatura. Questionada sobre se isso é sinal de que António Costa está a desvalorizar as eleições presidenciais, crítica que em tempos Ana Gomes chegou a fazer (logo no dia em que anunciou a sua candidatura), a candidata prefere poupar o primeiro-ministro — que tem a “prioridade” da pandemia — e culpa antes o presidente do PS. O presidente do PS é Carlos César, e até é conhecida a animosidade entre ambos, mas ficou a dúvida sobre se Ana Gomes se estaria a referir a César ou a Costa na qualidade de líder do PS.

“O primeiro-ministro tem estado a fazer o que tem de fazer para fazer face à pandemia, essa é a prioridade dele, como tem de ser. A minha crítica não é ao primeiro-ministro, é ao presidente do PS porque não concordo que o PS não tenha candidato próprio, como tenho dito há muito tempo. Mas em relação a António Costa, primeiro-ministro, não tenho dúvidas de que tem feito o que é possível para acorrer à emergência da pandemia e tem feito o possível para acorrer às adaptações que têm de ser feitas para que o máximo de pessoas vote, isso está a ser feito”, insistiu.

O PS que aparece. Socialistas de segunda linha na campanha de Ana Gomes (que não é Sampaio da Nóvoa)

A menos de cinco dias de ir às urnas, Ana Gomes não hostiliza António Costa. Também Paulo Pedroso, que já se desvinculou do PS e que esta terça-feira apareceu pela primeira vez em público na campanha, lembra que a candidatura de Ana Gomes não é nem nunca foi partidária. “Foi com esses dados que preparámos toda a campanha”, disse, sabendo à partida que o apoio, e a máquina, do PS não estaria lá.

“A perspetiva que está aqui em jogo é a de uma candidatura presidencial de mudança, não tem nada a ver com qualquer dinâmica partidária, não é uma candidatura nem de dentro do PS, nem para dentro do PS, sendo a candidatura independente de uma socialista”, disse aos jornalistas. Os socialistas, de facto, têm sido escassos e tímidos em toda a campanha — e esta manhã, em Almada, a presidente da câmara, a socialista Inês de Medeiros, não apareceu.

Pandemia. Ana Gomes já admite fecho das escolas

“Não se aproximem, para vossa proteção”. É assim que, esta terça-feira de manhã, Ana Gomes recebe a já habitual bolha de jornalistas, fotojornalistas e repórteres de imagem que acompanha a campanha eleitoral há nove dias. Ana Gomes está junto a um cartaz que foi colado num mural no centro da cidade de Almada, acompanhada de Paulo Pedroso, diretor de campanha, e está alarmada com a situação sanitária, admitindo um passo atrás naquilo que chegou a defender: afinal, as escolas deverão mesmo ter de fechar.

“Tive informações esta manhã de dirigentes de escolas que não são nada alarmistas, mas que neste momento acham que situação está no limite e que acham que vai ser inevitável fechar as escolas“, disse, admitindo no entanto que o governo é que tem a informação toda. Certo é que Ana Gomes era, até hoje, uma defensora da decisão tomada pelo governo, na semana passada, de decretar o confinamento mas mantendo as escolas abertas, uma vez que a matéria não tinha sido consensual entre os especialistas que falaram na reunião do Infarmed.

Mas a situação mudou. “Tendo em conta que a situação não melhorou, poderá ter de ser necessário [fechar escolas]. Digo isto por causa de informações que recebi de pessoas ligadas às escolas”, insiste. Minutos depois iria visitar, ela própria, uma escola secundária do concelho de Almada, tendo comprovado aquilo que costuma dizer: não é dentro da escola que não se cumprem as regras, é fora dos portões.

“Nesta escola que visitei, o que me disseram foi que o cumprimento das regras tem sido rigoroso e a situação está controlada, o problema é quando vão comprar batatas fritas e bebidas, e ficam lá fora todos juntos”, disse, afirmando que os “casos que houve” na escola foram “isolados e controlados”. No exterior é que é “impossível controlar”, daí que admita “medidas mais drásticas”.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Suspender campanha? Em situação de “calamidade total” e por decisão do Governo

Perante o agravar da situação, com a fasquia a não baixar dos 10 mil novos casos de Covid-19 por dia, e com a perspetiva de o número de mortos diários atingir os 200, impõe-se a questão: o que a levaria a suspender a campanha? “Uma situação de calamidade total em que o Governo dissesse que não podia haver movimento nenhum”, respondeu aos jornalistas, depois de já ter lembrado que tomou logo a dianteira ao suspender a campanha no primeiro dia de campanha oficial, domingo, dia 10, tendo depois voltado mas privilegiando os encontros “online” e as visitas a instituições que têm de continuar a a funcionar presencialmente para “o resto dos portugueses estar em casa”.

É o caso de esquadras da PSP, quartéis de bombeiros, escolas ou serviços de recolha do lixo, onde foi esta terça-feira. Em Matosinhos, contudo, fez um percurso a pé de 15 minutos e, no domingo, visitou um bairro social, onde o ajuntamento foi mais evidente. “Estamos a cumprir todas as regras: parte da campanha é online e não temos feito aglomerados em espaços fechados”, diria aos jornalistas, depois de, nas ruas de Almada ter ouvido uma mulher queixar-se da falta de distanciamento entre a comitiva da candidata, que hoje chegou acompanhada dos habituais dois membros da equipa, o fotógrafo e o diretor de campanha Paulo Pedroso, e que tinha à sua espera o deputado e líder da concelhia do PS de Almada Ivan Gonçalves, assim como o deputado Filipe Pacheco e o vereador João Couvaneiro, que se juntou na visita à escola Fernão Mendes Pinto. Da presidente da câmara de Almada, a socialista Inês de Medeiros, nem sinal.

“Não me parece que estejamos a pôr pessoas em risco”, disse. Nem quando um grupo de quatro jovens, uma delas da JS, quiseram aproximar-se e trocar umas palavras com a candidata. O diretor de campanha Paulo Pedroso é da mesma opinião: “Suspendemos a campanha no primeiro dia para dar um sinal claro aos portugueses de que confinamento era para ser levado a sério, e desenvolvemos um conceito de campanha junto de quem está a trabalhar para os outros poderem estar em casa”, disse. Mas uma coisa é certa: os desenvolvimentos da pandemia são para ser “acompanhados com proximidade”. Se for para suspender tudo, Ana Gomes “certamente” cumprirá. Mas isso está nas mãos do Governo.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.