O acesso a fornos crematórios em Portugal está a ter tempos de espera de uma semana, em alguns casos. O processo só está a ser mais rápido em Lisboa mas mesmo assim é necessário aguardar cerca de três dias para se conseguir ter vaga. Estas informações surgem na resposta dada pela Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL) ao pedido de informações feito pela Direção-Geral de Saúde sobre o ponto de situação do setor face ao aumento do número de mortes verificado todos os dias (“seja pela COVID-19 ou pela onda de frio”, lê-se na carta).

Aí, a ANEL identifica uma série de sugestões que poderiam agilizar o trabalho das agências funerárias — que, por enquanto, não está em risco de rutura, assegura o mesmo documento. É, portanto, feito o apelo para que não seja permitida “a passagem dos funerais pelos locais de culto ou Centros Funerários para realização de exéquias, vigílias ou velórios”, medida que foi implementada em países como Espanha e Itália durante a primeira vaga da pandemia.

Também se defende que a emissão de boletins de óbito passem a poder ser emitidas em qualquer posto de polícia e “em qualquer dia, a qualquer hora”, deixando de vigorar a circunscrição da freguesia do local do óbito. Finalmente é também proposta a “utilização das câmaras frigoríficas existentes nos Cemitérios/centros Funerários” com crematórios, durante o tempo de espera pela concretização da cremação, “para assim ‘aliviar’ a saturação da capacidade de frio disponível nos hospitais.”

Reforço de equipas e extensão de horários de crematórios

Em declarações à Rádio Observador, Paulo Carreira, diretor da agência funerária Servilusa, afirma que já foi preciso reforçar equipas de trabalho.

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O aumento de recursos humanos, pelo menos na agência de Paulo Carreira, foi de 10%, isto para se conseguir dar resposta ao aumento do fluxo de trabalho. Também foi alargado o período de funcionamento dos crematórios. “A Servilusa teve de aumentar os seus recursos humanos bem como alargar os horários dos crematórios dos quais somos proprietários, que são cerca de nove em todo o país. O horário de funcionamento passou a ser até à meia noite, isso permite dar um pouco mais de celeridade”, afirma o responsável por esta empresa.

Nas mesmas declarações, Paulo Carreira reforça o pedido da ANEL a propósito da demora no processar da documentação legal necessária para a realização de um funeral, assinalando a importância da adoção de um método de processamento em formato digital, em vez de físico, como é feito até agora por parte das autoridades e dos hospitais. Segundo o próprio, é preciso ser possível “efetuar o necessário registo do óbito e a emissão do acento, imprescindível para a realização de um funeral, por via eletrónica, não sendo necessária a presença física”.

Pressão da Covid-19 nas funerárias. Famílias esperam até uma semana por cremações

Também a falta de câmaras de frio é assinalada como outro problema. Sobre esse tema, o diretor da agência Servilusa fala de um problema recorrente. “Isto não é um caso inédito. As várias associações têm vindo a chamaràa atenção desse problema. Muitos hospitais, todos os anos, muitas vezes recorrem ao incremento das câmaras frigoríficas através de contentores extra, totalmente preparados e higienizados. As funerárias não têm essa obrigação mas não deveria ser só os hospitais a fazê-lo. A funerária, sendo grande parte deste setor, também deve investir nesta matéria”, assinala.

O responsável por esta agência funerária também defende que os trabalhadores deste setor entrem nos escalões prioritários da vacinação contra a Covid-19 e sugere ainda que o processo de reconhecimento dos corpos de vítimas da Covid-19 — até agora feito pelas agências funerárias — seja alterado. É sugerido ainda que no hospital, antes do cadáver ser isolado nos recipientes próprios para evitar contágios, o mesmo seja fotografado com o objetivo de depois se apresentar essa prova fotográfica às família, isto para garantir um reconhecimento do corpo com a segurança de que não ocorrem erros.