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Miguel Stilwell de Andrade vai acumular a presidência executiva da EDP Renováveis com a da EDP. A decisão foi aprovada esta terça-feira em conselho de administração depois da nova equipa diretiva ter sido aprovada em assembleia geral extraordinária.

Na primeira conferência de imprensa que deu como presidente executivo eleito (Stilwell de Andrade era interino desde julho), o gestor explicou o racional por trás da decisão de reduzir a administração executiva para cinco elementos, face à dimensão deste órgão na era Mexia que tinha nove elementos.  “É uma equipa mais pequena, mas que garante o foco estratégico, é uma equipa ágil e focada em responder aos desafios e em dar respostas”. E invocando exemplos internacionais, defendeu também que por vezes “é mais facil gerir com pequenas equipas do que com equipas maiores”.  Mas também é uma equipa de continuidade, escolhida pelo mérito, capacidade, visão global e experiência.

O gestor justificou ainda a opção de acumular (pela primeira vez na história do grupo) as presidências executivas das duas empresas do grupo com o papel cada mais mais importante das renováveis que representam 65% dos investimentos e uma fatia crescente dos resultados. Stilwell de Andrade anunciou ainda que a está a realizar uma reflexão estratégica para apresentar um novo plano estratégico com a “nossa ambição” para 2025. E sublinhou a empresa cumpriu a até antecipou algumas das metas fixadas no plano até 2022, o último da era Mexia.

Questionado sobre eventuais alterações de estratégia, o gestor reafirmou compromissos com o crescimento, sobretudo fora de Portugal e na áreas das renováveis, “onde vamos continuar a investir muito”, tal como na área das redes inteligentes.

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Miguel Stilwell de Andrade afastou neste momento o interesse em retirar a EDP Renováveis da bolsa, considerando que esta dispersão permite dar visibilidade a esta área que agrada aos investidores. A “Renováveis está bem como está”. A EDP controla cerca de 85% da EDP Renováveis depois de uma oferta pública de aquisição para garantir a totalidade da empresa na qual só conseguiu comprar mais 5%.

Ainda sobre o futuro, o gestor considera que a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos, o maior mercado da EDP Renováveis, é positivo em várias vertentes. “É uma grande oportunidade que estamos a estudar para apresentar novas metas”.  Mas lembra que mesmo com Trump a empresa cresceu naquele mercado. Em Portugal onde a EDP continua a ser o maior investidor,  “estamos sempre disponíveis para analisar oportunidades para investir, nomeadamente no solar e no hidrogénio verde.

O novo presidente executivo eleito da maior empresa portuguesa afastou para já comparações com o antecessor. “Não vejo isto como uma comparação” (entre a EDP de Mexia e a EDP de Stilwell) e afirmou que a nova equipa quer continuar a aumentar o valor, isto numa altura em que o grupo EDP tem tido grandes valorizações na bolsa.

O CEO começou a conferência com um elogio da empresa ao legado de António Mexia e João Manso Neto que renunciaram à possibilidade de novo mandato depois de seis meses suspensos das funções que tinham na EDP por ordem da justiça. Ainda sobre o inquérito criminal que envolve a EDP (e os antigos gestores), e os danos para a empresa, Stilwell de Andrade responde: “Não sinto que a EDP tenha sido fragilizada”.

EDP vai buscar administradora à NOS e reduz comissão executiva para 5 elementos

Na administração executiva da EDP mantêm-se Rui Teixeira, que passa a ser administrador financeiro, Miguel Setas (que acumula a presidência da EDP Brasil com as redes de distribuição de todo o grupo) e Vera Pereira, que fica com o pelouro das vendas e as áreas sociais e culturais. Ana Paula Marques, vinda da administração da Nos, fica com a energia convencional e a digitalização. João Marques da Cruz deixa a administração executiva da EDP e passa a presidente executivo da EDP Brasil.