A viagem de uma delegação da Comissão Europeia a Lisboa na última sexta-feira, incluindo a sua presidente Ursula Van der Leyen, causou polémica em Bruxelas. Era assim tão essencial que esta equipa se deslocasse a um país onde os números de infeções pelo novo coronavírus estão tão elevados? E as reuniões presenciais seguidas de um jantar não foram passar ao lado do exemplo que os governantes têm que dar?

Estas foram algumas questões levantas pelo jornalistas durante a conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, ocorrida esta segunda-feira, depois de três delegados europeus estarem em quarentena por terem tido contacto com o ministro da Finanças português, João Leão, que testou positivo um dia após esse encontro.

O porta-voz de Van der Leyen, Eric Mamer, foi também questionado pelo número de delegados europeus que se deslocou, como relata o jornal Político. O porta-voz explicou que a decisão foi ponderada pela presidente, mas que que a visita a Portugal foi considerada “uma missão essencial” devido à passagem de testemunho no cargo da Presidência europeia.

Presidência da UE. Visita da Comissão Europeia a Lisboa em formato reduzido devido à Covid-19

Mamer pareceu, no entanto, não ter gostado da pergunta se não seria um “privilégio” uma reunião destas. Ao que respondeu não considerar um privilégio partir para Lisboa às 8h00 para um dia inteiro de reuniões, tal como não o considera para todos os trabalhadores que continuam na linha da frente, seja no comércio seja nos serviços de saúde. “Achamos importantes ter discussões com os ministros que vão ter a Presidência europeia nos próximos tempos”, disse.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Os vice-Presidentes Executivos da Comissão, Valdis Dombrovskis e Margrethe Vestager, e a Comissária para a Coesão e Reformas Elisa Ferreira tiveram contactos de risco com o governante português e estão neste momento de quarentena, o que obrigou a alterarem as suas agendas para os próximos dias.

O Político também levanta dúvidas sobre se o primeiro-ministro português, António Costa, deu prioridade à publicidade de Portugal na presidência do Conselho União Europeia ou à salvaguarda da saúde de dezenas de autoridades nacionais que participaram nos eventos de sexta-feira. E lembra que os hospitais portugueses estão á beira do colapso, enquanto decorre a campanha eleitoral para a Presidência da República.

Viagem de comissários a Lisboa causa polémica