Cinquenta e dois anos depois de estar em “confinamento”, um Bugatti Type 57S de 3,3 litros que não sai da oficina desde 1969 vai reaparecer, fazendo uma entrada de rompante no “clube” dos vários milhões. Trata-se de um exemplar raríssimo de 1937, que esteve escondido praticamente meio século e cujo restauro estava em vias de ser concluído, quando o seu último proprietário morreu. Vai agora a leilão, a 19 de Fevereiro, estimando-se que valha 7 milhões de libras esterlinas, qualquer coisa como 7,9 milhões de euros.

Por só terem sido fabricados 42 exemplares do Type 57S, a unidade em causa despertará com certeza o interesse e a “disponibilidade” dos coleccionadores mais ávidos, desejosos de ter em sua posse um dos exemplares da época dourada do construtor francês, quando a assinatura de Ettore Bugatti imprimia a cada criação um valor que hoje pode ascender à dezena de milhão. Basta lembrar que o recorde da marca está fixado nos 10,40 milhões de dólares com que foi arrematado, em Pebble Beach, um Type 55. Corria então o ano de 2008 e ficava para trás a marca de 1987, altura em que um Bugatti Royale Kellner Coupé de 1931 mudou de mãos por 9,8 milhões de dólares.

O Type 57 Surbaisse 3,3 litros Four-Seat Sports Grand Routier de 1937, cuja licitação foi entregue à Bonhams, não valerá tanto. As projecções da própria leiloeira apontam para um lance final entre os 5 e os 7 milhões de libras, mas a realidade é que a curiosa história por detrás desta unidade poderá elevar a fasquia.

O Bugatti em causa começou por sair da fábrica de Molsheim em 1937 para ser entregue a um armador, Robert Ropner, que o entregou ao carroçador londrino Corsica, a fim de este tratar de dar ao quatro lugares os acabamentos desejados pelo cliente. Mais de três décadas depois, em 1969, o veículo foi para a oficina de um conceituado engenheiro, especializado na marca francesa, Bill Turnbull, que acabou por adquiri-lo. Mas não sem antes o Bugatti ter despertado o interesse do fundador da equipa de engenharia da Connaught, Rodney Clarke. Contudo, de 1969 até agora, o Type 57 Surbaisse 3,3 litros não mais saiu da oficina de North Staffordshire. Aí permaneceu escondido, a ser restaurado pelo seu último dono, Turnbull, cuja morte deu por concluída uma tarefa incompleta.

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Falta ainda montar alguns componentes, mas esta unidade destaca-se das demais por possuir o que se acredita ser um dos chassis de competição criado para o imbatível Bugatti Type 57G Tank, um vencedor de Le Mans de que foram produzidas apenas três unidades, sendo que a única que resta  – com o chassi número 57335 – se encontra no estado da Pensilvânia, só podendo ser apreciada no museu da Fundação Simeone, em Filadélfia.

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