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Pode não ser uma catástrofe mas está lá perto: Liverpool perde, não marca há quatro jogos para a Premier e não ganha há cinco jornadas

Klopp pensou no Man. United e no Tottenham e não pôs Salah e Firmino de início. Liverpool perdeu com o Burnley (0-1), não marca há quatro jogos, não ganha há cinco e já está a 6 pontos da liderança.

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O treinador alemão atravessa, provavelmente, a pior crise desde que chegou a Liverpool

POOL/AFP via Getty Images

O treinador alemão atravessa, provavelmente, a pior crise desde que chegou a Liverpool

POOL/AFP via Getty Images

O principal problema do Liverpool esta temporada tem sido algo surpreendente. E nem precisamos de falar necessariamente das lesões que dizimaram a defesa, da ausência de pré-época que dificultou a preparação de todas as equipas ou do calendário apertado que complica a vida a todos os clubes que competem nas competições europeias. O principal problema do Liverpool esta temporada tem sido a falta de golos: algo que é estranho numa equipa que tem um dos melhores tridentes ofensivos do mundo, com Mané, Salah e Firmino.

Por esta altura na época passada, ao fim de 18 jornadas da Premier League, o Liverpool tinha marcado 46 golos. Esta temporada, no mesmo período, marcou 37 — um número que seria claramente mais baixo sem a goleada por 7-0 frente ao Crystal Palace em dezembro. Desde esse resultado dilatado, porém, o Liverpool só tinha marcado uma vez nos quatro jogos que se seguiram para o Campeonato (num empate contra o West Bromwich). Ou seja, registava três encontros consecutivos sem marcar qualquer golos, algo que não acontecia desde o início de 2005, há mais de 15 anos.

Bruno tentou de tudo e não queria sair mas ninguém desfez o nulo em Anfield (e o United continua líder isolado da Premier)

O problema? Nem sequer Jürgen Klopp consegue explicar o que se passa com o Liverpool. Depois do empate do fim de semana com o Manchester United, a equipa chegou à quarta jornada seguida sem conseguir ganhar para a Premier League e caiu para o quarto lugar da classificação. “Não há uma explicação fácil. Sempre desperdiçámos oportunidades, mas depois criávamos outra que aproveitávamos e era assim. Mas temos de continuar. Nestas situações, no futebol, temos sempre de continuar. Temos de tentar evitar o que se diz à nossa volta, porque as coisas são mesmo assim, é futebol, toda a gente quer ver golos. Se não marcas golos, toda a gente vai falar sobre isso. Mas temos de continuar focados em fazer as coisas certas. Não podemos forçar, rematar apenas ou algo do género. É mais importante a forma como reagimos a uma oportunidade falhada. Tem a ver com criar, temos de criar, criar e criar. E aí vamos marcar”, explicou o treinador alemão, acrescentando que é algo “que não se pode mudar num minuto”.

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“Alguém precisa de manter a calma. Não é uma catástrofe. Não é perfeito, mas vi a equipa dar bons sinais no jogo com o Manchester United. Como não vencemos, ninguém quis saber. Não conseguimos marcar, é isso, mais nada. Temos um trabalho a fazer e estamos a trabalhar para isso. Sabemos que não estamos na posição que queríamos. Temos de lutar”, disse Klopp, terminando com a garantia de que Diogo Jota — que estava num grande momento de forma antes de se lesionador — ainda precisa de “mais algumas semanas” antes de regressar às opções do Liverpool.

Esta quinta-feira, os reds tinham uma boa oportunidade para voltar às vitórias e aos golos. Em casa, contra o Burnley, os campeões em título defrontavam uma equipa que está à beira da zona de despromoção e que só ganhou quatro vezes desde o início da temporada. Além disso, a equipa de Jürgen Klopp tinha já de responder aos resultados positivos de Manchester United, Manchester City e Leicester para não perder ainda mais o comboio do topo da classificação. Tudo isto na antecâmara de uma dupla jornada dura: no domingo, o Liverpool volta a encontrar o Manchester United para a quarta eliminatória da Taça de Inglaterra, enquanto que na próxima quinta-feira visita o Tottenham, que está logo um lugar atrás na tabela.

Ciente deste calendário exigente, Klopp aproveitava a receção ao Burnley para deixar Salah e Firmino no banco e lançar Shaqiri e Origi para o onze inicial, em conjunto com Mané. A boa notícia para o Liverpool, porém, era um regresso: o central Matip estava recuperado da lesão que sofreu há cerca de um mês e voltava ao eixo defensivo, onde fazia dupla com Fabinho, um médio adaptado a central face às ausências prolongadas de Joe Gomez e Van Dijk. Ainda assim, e naquilo que esta época já parece uma maldição para o clube, a boa notícia apareceu acompanhada de uma preocupação. Jordan Henderson, o capitão que esta quinta-feira podia voltar ao meio-campo depois de nos últimos dois jogos ter sido central devido à lesão de Matip, sofreu uma lesão muscular e era substituído por Oxlade-Chamberlain, que completava o trio intermédio com Wijnaldum e Thiago Alcântara.

Os primeiros 15 minutos foram suficientes para perceber, pelo menos de uma forma superficial, o que se passa com o Liverpool. De forma natural, os reds assumiram a dianteira da partida, a posse de bola e a iniciativa, colocando a dupla de centrais a poucos metros da linha do meio-campo. O ataque avançava principalmente pelo corredor esquerdo, onde Robertson apresentava um entendimento acima da média com Mané e descobria muitos espaços à entrada da grande área, com o senegalês a recuar para depois procurar soluções. Nada disto, porém, criou uma verdadeira oportunidade de golo. Do outro lado, o Burnley assustava a defesa de Liverpool sempre que colocava uma bola longa na frente: a defesa dos reds parecia totalmente descompensada e desorganizada, sem movimentos de conjunto e sem coordenação, algo natural face às inúmeras mudanças que Jürgen Klopp tem sido obrigado a fazer neste setor desde o início da época. Alisson evitou o primeiro golo do jogo depois de um remate de Ashley Barnes, na sequência de um lance em saiu em falso (13′), e ficava a ideia de que a equipa de Sean Dyche podia marcar através de uma bola colocada nas costas da defesa adversária.

O primeiro momento mais perigoso do Liverpool apareceu através de um remate ao lado de Shaqiri (21′), que estava a dar-se muito ao jogo e procurava espaços interiores para oferecer o corredor às subidas de Alexander-Arnold. A melhor oportunidade dos reds na primeira parte surgiu no quarto de hora que antecedeu o intervalo — e que foi totalmente controlado pelo Liverpool, com a equipa a chegar a valores perto dos 85% de posse de bola: Origi aproveitou um erro de Ben Mee para ficar isolado na cara de Nick Pope mas acabou por acertar no poste (44′). O primeiro tempo, porém, não terminou sem um momento caricato.

Nick Pope bateu um pontapé de baliza, o árbitro da partida apitou para o intervalo enquanto a bola ainda estava no ar — e Jürgen Klopp iniciou desde logo uma corrida apressada para o balneário. O treinador alemão, contudo, acabou por voltar atrás quando percebeu que algo ainda se passava no relvado. Na disputa da bola que sobrou do pontapé de baliza do guarda-redes do Burnley, Fabinho acertou em Ashley Barnes e o avançado inglês caiu no relvado com algumas queixas. Fabinho viu o cartão amarelo desde logo mas a primeira parte ficou em suspenso porque o VAR ainda estava a analisar a possibilidade de um eventual vermelho para o brasileiro. O amarelo foi confirmado, os jogadores recolheram ao balneário e todo o episódio foi ainda acompanhado por uma discussão acesa entre Klopp e Dyche no túnel de acesso aos balneários.

Na segunda parte, à beira da hora de jogo, Klopp decidiu que estava na hora de lançar Salah e Firmino e tirou Origi e Oxlade-Chamberlain. O maior fluxo ofensivo do Liverpool, acompanhado por algumas oportunidades que deram muito trabalho ao guarda-redes Nick Pope, obrigaram o Burnley a procurar esticar também o jogo para não ficar asfixiado no próprio meio-campo. Barnes obrigou Alisson a uma enorme defesa (67′), já depois de Sean Dyche ter lançado Gudmundsson, e a equipa do norte de Inglaterra vivia o momento mais ambíguo da partida: entre estar perto de marcar e estar a defender pior, sempre perto de sofrer um golo.

Aos 82 minutos, numa altura em que Minamino se preparava para entrar e o Liverpool estava a asfixiar por completo o Burnley, Alisson fez falta sobre Ashley Barnes e provocou uma grande penalidade. Na conversão, foi o próprio Barnes a marcar e a gelar Anfield (83′). O Liverpool perdeu, não marca há quatro jogos para a Premier League, não consegue ganhar há cinco jornadas e está já a seis pontos do líder Manchester United. Klopp garante que “não é perfeito” mas “não é uma catástrofe” — mas anda lá perto.

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