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A procura por enfermeiros quadruplicou entre janeiro e setembro de 2020, segundo os dados recolhidos pelo Brighter Future, o portal da Fundação José Neves que reúne informação sobre educação, empregabilidade e competências em Portugal.

De acordo com esta base de dados, as profissões de enfermeiro, operador de máquinas, fabrico de produtos alimentares, similares e de carteiro foram as mais procuradas até ao terceiro trimestre de 2020. Já os setores que registaram maior aumento da empregabilidade em Portugal foram os da saúde, distribuição e produção alimentar.

“Do primeiro para o segundo trimestre de 2020, cerca de 80% das profissões registaram um decréscimo de ofertas de trabalho, mas o cenário melhorou no entretanto. Os dados do Brighter Future indicam que, do segundo para o terceiro trimestre, a grande maioria das profissões recuperou da queda verificada nos primeiros seis meses”, lê-se no comunicado.

Em sentido oposto estão outras profissões, como as de rececionista de hotel, gerente de restauração, compositor, músico, cantor, bailarino e coreógrafo. Foram estas as que sofreram maior queda na procura até setembro de 2020, devido à crise pandémica, que, segundo a fundação liderada pelo empreendedor José Neves, fundador e presidente da Farfetch, provocou alterações no mercado de trabalho de forma abrupta e inesperada.

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“Independentemente dos efeitos da pandemia, os dados recolhidos e analisados pela plataforma Brighter Future indicam que no topo da lista com mais ofertas de emprego mantêm-se profissões com uma forte componente tecnológica e com ligação ao setor do comércio”, lê-se na nota enviada ao Observador.

Assim, as profissões com mais ofertas de trabalho são as de programador de software, analista de sistemas, operador de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas, pessoal de informação administrativa, especialista em recursos humanos, técnico de apoio aos utilizadores das tecnologias da informação e comunicação, entre outras.

Tendo em conta aquelas que são as mais recentes dinâmicas do emprego, as profissões de vendedor e encarregado de lojas saíram desta lista no terceiro trimestre do ano. No segundo trimestre do ano, já tinha caído a procura por empregados de mesa e de bar.

Em termos de competências de futuro, existem duas aptidões emergentes, que a fundação considera essenciais para os próximos anos e que podem ter adquirido maior preponderância com a crise pandémica: aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem.

A aprendizagem ativa é a capacidade de compreender as implicações de nova informação para os processos de decisão e de resolução de problemas atuais e futuros e é uma aptidão mais relacionada com profissões como as de engenheiro químico, biólogo e médico. Já as estratégias de aprendizagem têm a ver com a capacidade de selecionar e utilizar métodos de formação e instrução adequados ao ensino de novas matérias. Trata-se de uma aptidão essencialmente usada em profissões do setor da educação.

Desde 22 de setembro que a Fundação José Neves disponibiliza a base de dados Brighter Future, uma plataforma de visualização que promete ajudar os portugueses a tomarem as melhores decisões baseadas em dados: são mais de 200 gráficos de análises diferentes, 400 indicadores sobre emprego, educação e competências e mais de 200 milhões de registos e 2.500 ficheiros de fontes.

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Lançada na mesma data, esta fundação é presidida por Carlos Oliveira — ex-secretário de Estado de Empreendedorismo, fundador da MobiComp (vendida à Microsoft em 2008) e atual membro do Conselho Europeu de Inovação — e conta com o investidor em capital de risco António Murta (diretor-geral da Pathena) como administrador não executivo.

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A Fundação José Neves conta com o investimento pessoal do presidente executivo da Farfetch — a plataforma online de moda de luxo com ADN português que é cotada na bolsa de Nova Iorque –, que vai doar à fundação dois terços de toda a sua fortuna.