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No final do encontro em Anfield que manteve o Manchester United na frente da Premier League após o nulo diante do campeão Liverpool, Bruno Fernandes foi um dos jogadores mais falados e nem sempre pelas melhores razões. Porque perdeu mais bolas do que é normal, porque esteve menos em jogo do que é normal, porque se mostrou mais perdulário do que é normal. A isso acrescentava-se um pormenor que fazia a diferença na crítica: quando chegavam os jogos grandes, o internacional português perdia influência, tivesse sido só pelo cansaço ou pelas características próprias enquanto jogador. A “resposta”, essa, demorou apenas uma semana. E chegou embrulhada com um laço de decisiva, dando a vitória aos red devils em Old Trafford no reencontro a contar para a Taça de Inglaterra.

“Bruno Fernandes cansado? A forma dele é muito boa, acabou de ser considerado o jogador do mês… Não está cansado, não, não há qualquer hipótese. Ele é um daqueles jogadores que corre e cobre o campo todo em todos os jogos. É muito bom a recuperar e a recarregar as baterias. Se ele tivesse marcado o livre, se a bola tivesse levado um pouco mais de força quando o Luke [Shaw] cruzou, voltaria a ser já eleito o jogador do mês da Premier League. Desde que chegou ele tem sido absolutamente incansável e não, não está cansado. Se eu lhe perguntar, não há absolutamente hipótese nenhuma de ele dizer que está cansado”, comentou Ole Gunnar Solskjaer, recordando essas duas hipóteses falhadas em Anfield. Este domingo, o médio saiu do banco para decidir.

Lançado em campo para o lugar de Van de Beek (uma sombra daquele motor ofensivo da melhor versão do Ajax na última década) aos 66′, o português não demorou a dar nas vistas com um livre direto sem hipóteses para Alisson a 12 minutos do final que sentenciou a vitória por 3-2 na quarta ronda da competição, tendo ainda estado na última jogada de perigo perto das áreas em que Cavani acertou no poste da baliza do brasileiro. Assim, e quando se está quase a cumprir o primeiro ano em Inglaterra após ter sido vendido pelo Sporting, o internacional leva um total de 28 golos pelo Manchester United, algo que mais ninguém conseguiu desde 1 de fevereiro até hoje. E, olhando só para esta época, os números são tão ou mais esmagadores: 29 jogos, 16 golos e nove assistências.

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Antes da entrada de Bruno Fernandes, o encontro foi bem mais interessante de seguir do que o nulo em Anfield e com um ponto cada vez mais evidente no Liverpool de Jürgen Klopp, a atravessar a maior série de maus registos desde que assumiu o clube: a falta que Van Dijk faz na equipa, não só pelo jogo mais direto que faz falta na ideia dos reds mas também, ou sobretudo, pela influência que tem no plano defensivo. E foi por aí que os visitantes foram eliminados: Salah bisou, em alguns momentos da segunda parte a equipa chegou a ter 80% de posse, mas o espaço concedido a Rashford para jogar em transições e os erros de Rhys Williams deitaram tudo a perder.

“Jogámos bem, criámos várias oportunidades e fomos mais pressionantes do que no jogo da Premier League que fizemos em Anfield. Tudo isto é um sonho tornado realidade, jogar por este clube na Premier League. Toda a gente sabe disso e os adeptos estão satisfeitos”, comentou no final o internacional português à BBC. “Foi um grande golo, um bom livre. Depois do treino de ontem [sábado], ele ficou durante 45 minutos a treinar livres diretos. Portanto, eu estava muito confiante de que ele ia atirar à baliza hoje”, acrescentou Ole Gunnar Solskjaer. “Sim, treino livres quase todos os dias. Por vezes o mister tem de mandar-me embora do treino. Gosto de ver e de aprender com o Juan [Mata]. Ele é um especialista e ficamos muito tempo a treinar. O Rashy [Rashford], o Alex [Telles] e o Fred também ficam, embora o Fred seja mais para brincar (risos)”, disse depois ao canal do clube.