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O número de óbitos registados nas últimas 24 horas — 252 — não foi o mais elevado desde o início da pandemia, o que faz com que pela primeira vez em sete dias não tenhamos de escrever que alcançámos um novo máximo de mortes. Apesar de não ser o mais elevado, não deixa de ser um número muitíssimo pesado — há três dias que o valor reservado no boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) para as baixas da pandemia fica acima dos 250, sendo que já há sete que se mantém para lá das duas centenas.

Desde que 2021 começou, já morreram 3.749 pessoas com problemas associados à Covid-19 (contas feitas aos valores registados pelos boletins da DGS entre 2 e 25 de janeiro), o que significa que 35% das mortes registadas em Portugal desde março de 2020 e associadas à pandemia aconteceram durante o mês de janeiro — e isto apenas até ao dia 24. Ao todo, as contas nacionais da pandemia já vão nos 10.721 óbitos.

A partir de aqui, tudo o que vem registado esta segunda-feira no habitual boletim da DGS é, na sua correspondência com o dia anterior ou até com os valores registados ao longo de toda a pandemia, pior. Nunca tantas pessoas tinham sido hospitalizadas em apenas 24 horas com problemas associados à Covid-19; nunca tinha havido tantos internados em unidades de cuidados intensivos; nunca uma segunda-feira tinha revelado tantos novos infetados. O máximo registado a uma segunda-feira remonta ao passado dia 18 de janeiro, há exatamente uma semana, dia em que foram contabilizados 6.702 novos infetados.

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De acordo com a Direção-Geral da Saúde, até à meia-noite deste domingo foram contabilizados 6.923 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2. Apesar de se tratar de uma redução significativa relativamente aos números registados nas 24 horas anteriores (11.721), os totais divulgados ao início da tarde seguem o padrão de redução por regra observado às segundas-feiras, que resulta da menor quantidade de testes realizados. Tal como já tinha acontecido na semana passada, esta segunda-feira volta a ser a pior desde o início da pandemia. Pelo menos em número de casos.

Se no dia 1 de janeiro de 2021 havia 2.806 pessoas hospitalizadas com problemas associados à Covid-19, esta segunda-feira são já 6.420 os internados nos hospitais de todo o país (mais 43,7% em 24 dias). Nas últimas 24 horas, a conta total das hospitalizações foi ampliada em mais 303 — um novo máximo desde o início da pandemia; nunca tantas pessoas tinham sido internadas no mesmo espaço de tempo.

Os internamentos em unidades de cuidados intensivos também cresceram: mais 25 pessoas nas últimas 24 horas, o que significa que são já 767 as pessoas em estado grave ou muito grave a necessitar dos cuidados prestados nestas unidades. Também desde o início da pandemia, nunca tinham sido tantas — a 1 de janeiro, por exemplo, eram 483.

No que diz respeito à distribuição dos novos casos de infeção pelo território nacional, esta segunda-feira voltou a ser em Lisboa e Vale do Tejo que os novos casos mais cresceram no país — 44,9% de todos os testes positivos registados nas últimas 24 horas foram feitos nesta região. Seguiu-se-lhe a região Norte, com 28,5% dos novos infetados e o Centro, com 15%.

No Alentejo registaram-se 5,6% dos novos casos, no Algarve 3,8%, e na Madeira 1,6%. Nos Açores o valor de novos infetados é ainda mais residual, se comparado com os totais nacionais: 0,4% (o equivalente a 31 testes positivos).

De entre as 252 pessoas que nas últimas 24 horas perderam a vida com Covid-19 em Portugal, 166 (70 homens e 96 mulheres) tinham mais de 80 anos (o que corresponde a 65,9% dos óbitos).

Até à meia-noite deste domingo morreu ainda uma mulher entre os 40 e os 49 anos e 4 homens e uma mulher na faixa dos 50 com complicações associadas à Covid-19. Entre os 60 e os 69 morreram 30 pessoas (25 homens e 5 mulheres) e na faixa etária seguinte há a lamentar mais 50 óbitos (37 homens e 13 mulheres).

A maior parte das mortes (113) foi registada na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguida pelo Centro (56) e pelo Norte (54). No Alentejo morreram mais 21 pessoas, no Algarve 7 e na Madeira uma. Nos Açores, ao longo das últimas 24 horas, não houve qualquer óbito a somar às contas da pandemia.

No final, a melhor notícia: esta segunda-feira foram mais 5.266 as pessoas que entraram para as contas dos recuperados da Covid-19 — que já perfazem um total de 461.757. Significa que 71,8% dos infetados — num universo de 643.113 positivos, desde março do ano passado —, já recuperaram da doença.