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Tem vários nomes mas não se chama nem Jesús, nem Corona, nem Tecatito: é só um artista (a crónica do Farense-FC Porto)

FC Porto foi muito melhor que o Farense mas o jogo esteve complicado. Dragões desperdiçaram muito e acabaram a ganhar pela margem mínima: e o que fica é mesmo o talento de Corona, o artista da bola.

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O jogador mexicano saiu já nos descontos para dar o lugar a João Mário

Getty Images

O jogador mexicano saiu já nos descontos para dar o lugar a João Mário

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Sérgio Conceição não gosta de perder. E se esse fator é natural, porque nenhum treinador de futebol gosta de perder, a característica ganha com Sérgio Conceição uma nova dimensão. Assim que o apito final soa e o resultado não é favorável ao FC Porto, o técnico adota desde logo um semblante muito carregado, entra dentro de campo para cumprimentar todos os jogadores e, na roda habitual com todos os elementos da equipa, deixa frases mais duras e em decibéis mais elevados. A flash interview e a conferência de imprensa, essas, terminam quase sempre da mesma maneira: Mais alguma coisa?, enquanto já coloca o primeiro pé em frente para seguir caminho.

A derrota da passada terça-feira, contra o Sporting, não foi exceção. O FC Porto perdeu a meia-final da Taça da Liga, falhou a presença na final e falhou novamente a conquista da única competição nacional que nunca conseguiu ganhar. É certo que não tinha Otávio, Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Evanilson e que jogou contra um Sporting que este ano só perdeu na Liga Europa e na Taça de Portugal — mas também é certo que a cinco minutos do final estava a ganhar e que acabou por permitir uma reviravolta já nos últimos instantes da partida. Sérgio Conceição adotou o semblante carregado, entrou em campo para cumprimentar todos os jogadores e, na roda habitual com os elementos da equipa, deixou frases mais duras e em decibéis mais elevados. Na flash interview, a conclusão do costume: Mais alguma coisa?, com o primeiro pé já em frente para seguir caminho. Antes, porém, deixou um discurso que também já se torna característico.

“Foi um bocado caído do céu. Merecíamos estar na final de sábado, não aconteceu, há que olhar para o principal objetivo que é o Campeonato (…) Sinto que, cada vez mais, existem algumas situações que me entristecem. Não entendo porque é que o meu adjunto foi expulso. Falei menos do que o adversário e a primeira vez que o árbitro veio ao banco deu-me amarelo. Todos os jogos é isto. Há dois pesos e duas medidas. Temos de andar contra tudo e contra todos. Isto não é um chavão, sinto-me prejudicado”, explicou o técnico. Pode não ser um chavão mas é cada vez mais a maneira de estar do FC Porto: contra tudo e contra todos.

Já depois da eliminação às mãos do Sporting em Leiria, o alarme voltou a soar no FC Porto: na passada quarta-feira, dia do primeiro treino de preparação para a visita desta segunda-feira ao Farense, Sérgio Conceição, Uribe e Romário Baró apresentaram sintomas gripais. O treinador e os dois jogadores não estiveram na sessão de treino e só estiveram no Olival para ser testados, em conjunto com a restante comitiva, seguindo depois para isolamento profilático. No resultado da ronda de testes, Sérgio Conceição deu negativo, Uribe deu negativo mas Romário Baró, em conjunto com o assintomático Nanu, deram positivo. Ainda assim, o treinador dos dragões permaneceu em casa de precaução — só regressou ao Olival no sábado, para voltar a ser testado e voltar a dar negativo — e falhou os três treinos que o FC Porto fez até ao final da semana, permanecendo a dúvida sobre se estaria em Faro para orientar a equipa durante o jogo. Dúvida que foi despistada este domingo, quando Conceição integrou o grupo que viajou para o sul do país.

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Assim, o FC Porto visitava o Farense ainda sem Sérgio Oliveira, Luis Díaz, Evanilson, Romário Baró e Nanu — mas já com Otávio, que testou positivo na antecâmara do Clássico com o Benfica e já estava recuperado e apto para ser opção. Além do regresso do médio brasileiro ao onze, Sérgio Conceição voltava a contar com o habitual quarteto defensivo, que perdeu regularidade graças ao teste positivo de Wilson Manafá, à fadiga muscular de Mbemba, às lesões de Pepe e ao trio de centrais que o treinador apresentou contra o Sporting. Os três, acompanhados por Zaidu, não eram titulares desde o encontro com o Benfica para a Supertaça Cândido de Oliveira, a 23 de dezembro, e voltavam esta segunda-feira a tomar conta da linha mais recuada dos dragões. Contra um Farense que entrava na partida como penúltimo classificado mas sem nenhuma derrota no Estádio de São Luís, o FC Porto atuava ainda com Taremi, de volta após cumprir castigo, e sabia desde logo que regressar às vitórias depois do empate com o Benfica e a derrota com o Sporting significava cavar uma distância de dois pontos para os encarnados, que tinham empatado horas antes na Luz com o Nacional.

Se os dragões entravam em campo menos de uma semana depois do último jogo, o Farense não competia há duas semanas, já que a partida da última jornada da Liga com o V. Guimarães foi adiado devido ao gelo que tornou impraticável o relvado do Estádio D. Afonso Henriques. Marega fez o primeiro remate do jogo, logo nos instantes inicias, ao atirar rasteiro e para as mãos de Defendi depois de um cruzamento de Corona a partir da direita (5′). Este seria, aliás, o movimento tipo do FC Porto. O corredor direito da equipa de Sérgio Conceição seria sempre a ala privilegiada no movimento ofensivo: Manafá subia com frequência e sabia que Uribe resguardava as costas, Corona tanto dava largura na faixa como descobria espaços interiores e Marega, mais à frente, ia trocando com Taremi a posição de ‘9’ destacado ou ‘9’ móvel, mais na grande área ou mais na zona imediatamente antes da grande área.

Estas movimentações eram as responsáveis pelo desequilíbrio do FC Porto, que durante a primeira meia-hora impediu o Farense de explorar muito mais para lá da linha do meio-campo. O primeiro golo acabou por surgir com naturalidade e como aval de aprovação ao privilégio dado ao corredor direito: Wilson Manafá arrancou na ala, tirou vários adversários da frente em velocidade e cruzou atrasado, já junto à linha de fundo. Taremi, ao segundo poste e totalmente sozinho, rematou rasteiro para abrir o marcador (15′). O avançado iraniano chegou assim ao 10.º golo da temporada, um registo mínimo que alcança há seis anos consecutivos.

Pouco depois do golo de Taremi, o Farense ficou a reclamar grande penalidade na área de Marchesín, num lance em que Corona parece intercetar a bola com o braço, mas o VAR considerou que não existiu infração do mexicano (19′). Depois do golo, o FC Porto teve uma grande oportunidade para aumentar a vantagem, através de um remate de primeira de Corona que Defendi defendeu (26′), mas a verdade é que a partida abriu nos últimos 15 minutos da primeira parte. O Farense passou a pressionar mais alto, beneficiando também da ligeira descida das linhas dos dragões, e forçou a equipa de Sérgio Conceição a vários pontapés de canto — sendo que os lances de bola parada são o ponto forte dos algarvios. Foi nesta fase que o FC Porto, mesmo com o habitual quarteto defensivo de regresso, não conseguiu esconder as debilidades de posicionamento e movimentação que têm permitido tantos golos ao longo da temporada. A dada altura, Stojiljković apareceu quase sozinho na grande área a receber um cruzamento no peito: valeu Mbemba, que aproveitou a demora do avançado sérvio para intercetar o remate (38′).

Até ao fim, Wilson Manafá soltou Taremi para um contra-ataque muito perigoso mas o iraniano tentou a assistência e perdeu a bola para Ryan Gauld (42′) e Zaidu cabeceou ao lado numa jogada em que apareceu em zona central a responder a um cruzamento de Corona na direita (45+2′). O FC Porto foi para o intervalo a ganhar graças ao golo de Taremi e a grande prova da superioridade dos dragões era a importância defensiva de Gauld e Madi Queta, duas peças do movimento ofensivo do Farense que estavam a ser preponderantes a impedir que a ala direita dos dragões causasse ainda mais estragos. Ainda assim, o jogo estava vivo e aberto e a primeira parte tinha tido 14 remates entre as duas equipas, um número alto para a Primeira Liga.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Farense-FC Porto:]

Na segunda parte — e depois de fazer uma substituição, trocando Filipe Melo por Cláudio Falcão — a primeira equipa a criar perigo foi o Farense, algo que deixou a ideia de que o segundo tempo iria seguir a lógica dos 45 minutos iniciais, com o jogo disputado e aproximações às duas balizas. Stojiljković cabeceou na grande área depois de um cruzamento de Alex Pinto, Marchesín encaixou com facilidade (49′) mas a verdade é que foi forçado a aplicar-se novamente. A partir daí, porém, a partida adquiriu um único sentido: a baliza do Farense. Uribe rematou por cima quando Defendi não estava na baliza (50′), Taremi cabeceou também sobre a trave logo a seguir (51′), Corona atirou contra Cássio depois de uma jogada absolutamente genial em fintou vários adversários (57′) e Otávio desperdiçou duas oportunidades, primeiro permitindo a defesa do guarda-redes dos algarvios (60′) e depois ao atirar ao lado numa recarga (65′).

Certo é que, apesar de todas as ocasiões e da superioridade em praticamente todos os níveis que o FC Porto apresentava, a vantagem continuava a ser mínima. Ciente disso mesmo, Sérgio Vieira arriscou tudo no espaço de sete minutos e esgotou as substituições em dois momentos, lançando Mansilla, Pedro Henrique, Hugo Seco e Lucca. A ideia do treinador do Farense era refrescar e fortalecer o setor ofensivo da equipa, ciente de que uma transição rápida podia encontrar a equipa adversária descompensada e dar um eventual empate — até porque, apesar das múltiplas oportunidades no meio-campo algarvio, o FC Porto continuava algo passivo e lento na hora de defender.

Sérgio Conceição mexeu pela primeira vez quando faltava um quarto de hora para o final, ao trocar Taremi por Felipe Anderson, e Sérgio Vieira acertou quase em cheio na aposta. Nos últimos instantes, o FC Porto perdeu a concentração e permitiu a entrada do Farense em espaços proibidos. Os algarvios ficaram muito perto de empatar em duas ocasiões: primeiro num lance em que acertaram duas vezes nos ferros da baliza de Marchesín, com um desvio de Mbemba e outro de Hugo Seco (80′), e depois com um grande remate de Cláudio Falcão que passou ao lado (81′). Confrontado também com algumas dificuldades físicas de Manafá, Conceição tentou blindar por completo o resultado e tirou o lateral e Grujic para colocar Carraça e Diogo Leite, sendo que o antigo jogador do Boavista fez a estreia pelos dragões na Primeira Liga.

Os sete minutos de tempo extra foram de agonia e sofrimento para o FC Porto, que sentia que podia perder a vitória a qualquer momento — enquanto que o Farense, em simultâneo, sentia que podia chegar ao empate e evitar a primeira derrota no Estádio de São Luís. No final do jogo, que acabou por ter ainda um momento mais aceso entre Pepe e Loum, os dragões conseguiram mesmo voltar às vitórias e aproveitaram o deslize do Benfica, agarrando agora o segundo lugar isolado com mais dois pontos do que os encarnados. Para isso, muito contribuiu Corona, que foi o elemento mais importante do ataque do FC Porto, fez cinco passes para finalização e construiu dezenas de lances: apesar de ter falhado o golo no culminar de uma jogada absolutamente brilhante, perto da hora de jogo.

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