Arranca na próxima semana a segunda fase da campanha de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, que irá incluir a imunização de pessoas com mais de 50 anos e pelo menos uma das doenças identificadas como responsáveis pelo agravamento do risco de mortalidade pela doença. A apenas alguns dias do início da campanha, existem muitas dúvidas sobre como o processo irá decorrer nos centros de saúde, nomeadamente sobre como serão convocados os utentes que não têm médico de família ou são seguidos fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os centros de saúde estiveram nos últimos dias a validar as listagens com os nomes dos utentes que terão acesso a esta segunda fase da vacinação, isto é, pessoas com mais de 50 anos que estejam identificadas como tendo doença coronária, insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica, procurando identificar eventuais erros ou omissões. Estas listas, enviadas pela tutela, não incluíram, no entanto, os utentes que não estão registados nos centros de saúde. Chegar a estes será uma das dificuldades, mas existem outras dúvidas, por exemplo, sobre como serão convocados os utentes de uma forma geral.

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“Não temos ainda informação de como os utentes vão ser convocados e ainda há dúvidas sobre os utentes sem médico de família e os que não frequentam o Serviço Nacional de Saúde”, declarou ao Jornal de Notícias (artigo para assinantes) o presidente da associação que representa as unidades de saúde familiares (USF-AN), Diogo Urjais, apontando que está previsto que estes apresentem uma declaração do seu médico assistente no privado a comprovar a patologia. “Mas quem vai validar estes atestados?”, questionou. “Isso também ainda não está explicado.”

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Neste caso, “a maneira mais fácil” de proceder será o utente “contactar o médico assistente no âmbito dos cuidados privados”, sugeriu Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF ). “Esse colega, fazendo a articulação que é habitual entre médicos, fará chegar a informação ou ao médico de família do utente ou no caso de não ter médico atribuído à unidade de saúde a que pertence”, afirmou em declarações à Rádio Observador.

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Outra dúvida apontada por Diogo Urjais prende-se com a distribuição das vacinas. Tendo em conta as especificidades de armazenamento do tratamento desenvolvido pela Pfizer, é “imperativo” que o processo seja centralizado, escolhendo um centro de saúde por agrupamento ou por concelho para proceder à vacinação, sugeriu o presidente da USF-AN.

Por enquanto, não existem datas concretas para o arranque da campanha de vacinação, que estão dependentes da distribuição das vacinas pelos centros de saúde portugueses. “A distribuição das vacinas ocorre segundo um calendário próprio, muitas vezes somos avisados na véspera ou alguns dias antes”, admitiu Nuno Jacinto à Rádio Observador. “Só quando soubermos quais são as vacinas e quantas é que vamos receber em cada dia, em cada semana, é que podemos programar essa administração e então aí começaremos a avisar os utentes.”