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Um estudo de investigadores da Universidade de Oxford, que ainda aguarda revisão pelos pares, concluiu que uma em cada oito pessoas que estiveram infetadas com o novo coronavírus foram diagnosticadas, pela primeira vez, com uma doença do foro psiquiátrico ou neurológico nos seis meses após terem tido um teste positivo à Covid-19. A incidência da doença psiquiátrica ou neurológica aumentou, para um em cada três, quando foram incluídos os pacientes que já tinham um historial dessas doenças. O estudo foi feito em pacientes dos EUA.

Ao todo, foram avaliados os registos eletrónicos de 236.379 doentes norte-americanos, que estiveram infetados com o SARS-CoV-2 que estiveram ou não internados. Esses dados foram comparados com outros dois: de um grupo de doentes que estiveram infetados com o vírus da gripe e de um grupo de pacientes que tiveram um diagnóstico de infeção respiratória entre 20 de janeiro e 13 de dezembro de 2020. Nos doentes que tiveram o vírus que provoca a Covid-19, a incidência de uma doença psiquiátrica ou neurológica foi superior à dos restantes grupos: 33,6%, sendo que cerca de 13% da amostra recebeu esse diagnóstico pela primeira vez. O risco aumentou nas pessoas que tiveram uma forma mais grave da Covid-19.

A análise teve em conta fatores de risco, como a idade, o sexo e a condição física e sócio-económica. O The Guardian nota, porém, que é preciso cautela para interpretar os resultados. Primeiro porque as conclusões do estudo não provam que a Covid-19 tenha sido a causa direta das doenças psiquiátricas ou neurológicas diagnosticas após a infeção, embora sinalize que o SARS-CoV-2 pode ter impacto no cérebro e no sistema nervoso central. “A informação pode ajudar no planeamento dos serviços e na identificação das prioridades de investigação”, escrevem os autores.

Ao The Guardian, Max Taquet, um dos autores do estudo, diz não ter informação sobre quanto tempo estas doenças podem persistir nos doentes. “Para diagnósticos como um AVC ou uma hemorragia intracerebral, o risco tende a diminuir drasticamente em seis meses. Mas para alguns diagnósticos neurológicos e psiquiátricos não temos a resposta”, disse o especialista.

A cautela na análise das conclusões também se deve ao facto de alguns doentes agora diagnosticados com doença psiquiátrica ou neurológica já poderem ter tido a condição antes, embora não tivesse sido detetada. Além disso, como notam os próprios investigadores, os registos eletrónicos consultados tinham pouca informação sobre o estilo de vida e as condições sócio-económicas dos pacientes, o que também pode ter influência nas doenças registadas.

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