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O carregamento de veículos eléctricos sem fios, por indução, é algo que tem vindo a ser estudado e testado, existindo por esse mundo fora vários projectos-piloto em testes, essencialmente em troços de vias rápidas ou nas faixas reservadas a autocarros de transporte público. Porém, na Arábia Saudita, os investigadores querem ir mais além e extrair a máxima eficiência desta tecnologia que, até há pouco tempo, era considerada futurista.

A Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (KAUST, na sigla em inglês), sedeada em Thuwal, está já a preparar um futuro em que a mobilidade será menos dependente do petróleo, o ‘ouro negro’ que alavanca a economia do reino. Isso associado ao facto de, por aqueles lados, ser possível projectar novas cidades a partir do zero levou os investigadores a adoptarem um novo método na abordagem do carregamento de veículos eléctricos por indução.

A equipa que está à frente do projecto não pretende reduzir as perdas de energia decorrentes do carregamento sem fios, mas sim apurar um modelo matemático que resolva uma equação elementar nesta matéria: onde faz mais sentido equipar as vias para que estas forneçam energia eléctrica aos veículos que por lá circulam? Ou seja, o que os investigadores pretendem determinar é qual é o percurso que a maioria dos condutores tenderá a fazer se quiser ir do ponto A ao ponto B, pelo que a resposta é encontrada através do cálculo probabilístico (método estocástico). É a partir da aplicação de modelos matemáticos que os investigadores traçam o mapa das artérias que devem fornecer energia, para que os eléctricos que aí circulam recarreguem em andamento.

Esta estrada recarrega eléctricos em andamento

A ideia é que, na posse desta informação, os responsáveis por projectar as novas cidades do reino tenham, à partida, logo em consideração quais são as estradas que devem estar apetrechadas com a tecnologia de indução, para benefício e comodidade dos condutores que por lá circularão em modo zero emissões.

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A KAUST demonstrou o potencial da abordagem estocástica aplicando-a à área de Manhattan, Nova Iorque, com a densidade de uma rua a cada 63 metros. Segundo os investigadores, independentemente do ponto de partida, de chegada ou do percurso efectuado, os condutores teriam 80% de hipóteses de encontrar uma rodovia com recarga por indução depois de percorrerem apenas 500 metros.

De realçar que, embora conveniente, esta solução ainda perde largamente em eficiência, face às opções “convencionais” de recarga. Por outro lado, considerando que os veículos particulares passam grande parte do tempo estacionados, o investimento no carregamento por indução será mais um “plus” do que essencial.