O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, defendeu esta terça-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas, que a União Europeia não pode perder o novo momentum oferecido pela administração de Joe Biden para relançar o diálogo com os Estados Unidos.

Dirigindo-se à comissão parlamentar de Assuntos Externos do Parlamento Europeu (PE) para apresentar as prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE no domínio da política externa, Santos Silva afirmou que, tendo plena consciência de que a responsabilidade por esta área cabe em primeiro lugar ao chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, Portugal está apostado em “apoiar os esforços do Alto Representante no relançamento do diálogo e concertação transatlântica”.

Apontando que “a presidência portuguesa do Conselho da UE procurará, em estreita articulação com o Alto Representante e apoiando a ação do Alto Representante, atingir oito objetivos essenciais”, Santos Silva apontou que o primeiro é o “relançamento do diálogo e concertação transatlântica aproveitando o novo ‘momentum’ oferecido pela administração Biden nos Estados Unidos“.

Esperamos a todos os níveis, seja ao nível dos chefes de Estado e de governo, seja ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros, relançar o mais cedo possível o diálogo transatlântico como um diálogo entre amigos, entre aliados, entre próximos. Um diálogo, e não uma confrontação, mesmo quando os temas que nos ocupem sejam temas em que há diferenças objetivas de interesse ou de opinião entre a UE e os EUA, como acontece em áreas do comércio, ou como acontece, hoje, na área essencial para nós da taxação das grandes empresas tecnológicas digitais”, disse.

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Em resposta aos eurodeputados da comissão parlamentar, o ministro português reforçou que é fundamental “não perder esta oportunidade, não perder este momentum representado pela nova administração dos Estados Unidos”, depois da relação mais conturbada nos últimos quatro anos, com Donald Trump na Casa Branca, ocupada desde a passada quarta-feira por Joe Biden, vencedor das eleições presidenciais de 3 de novembro do ano passado.

Apontando no início da audição parlamentar que um dos três grandes objetivos da presidência portuguesa neste primeiro semestre do ano é o reforço da autonomia estratégica da UE, Augusto Santos Silva insistiu que tal não significa “tentar enfraquecer o laço transatlântico, bem pelo contrário”.

“Por exemplo, reforçar o investimento em defesa e segurança significa reforçar o pilar europeu da NATO, não enfraquecer o nosso laço tão sólido com EUA e Canadá, mas o oposto”, disse.

Santos Silva afirmou que “é muito importante do ponto de vista da presidência do Conselho que não haja nenhuma ambiguidade, nenhuma imprecisão nesta matéria”, pois “este conceito de autonomia estratégico é um conceito necessário, um conceito útil, mas um conceito que deve ser empregado com cuidado e com precisão”.

“Reforçar a autonomia estratégica da Europa não é fechar a Europa ao Mundo, pelo contrário, é abrir a Europa ao mundo. Reforçar a autonomia estratégica não é romper com as alianças consolidadas no pós-guerra, mas pelo contrário, reforçar essas alianças. Defender a autonomia estratégica da Europa não é assumir posições obsoletas, de natureza soberanista ou de natureza protecionista, mas sim ter sentido de equilíbrio geopolítico e procurar liderar, não só pelo exemplo, como também pela ação”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.