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A questão esteve em debate desde que as aulas presenciais foram interrompidas num formato diferente do que aconteceu em março, já que esta interrupção é considerada como um período de férias. Mas as declarações de PSD e PS após as audiências (por videoconferência) com o Presidente da República deixaram antever que esta interrupção está para durar, tanto que o próximo decreto de renovação do estado de emergência já vai prever ensino à distância.

“O decreto permitirá — e muito bem — que haja ensino à distância”, disse o líder do PSD aos jornalistas, na sede do partido, depois da conversa com Marcelo Rebelo de Sousa. “Não vale a pena continuar a fingir que apenas empurrou o ano letivo 15 dias para a frente”, já que “todos perceberam que as escolas terão de permanecer fechadas mais tempo”, acrescentou mesmo pedindo que não se prejudique as escolas que já estão preparadas, “privadas e públicas”, quando há outras que não estão por culpa própria ou do Governo.

Mas o atraso reclamado pela oposição sobre o apetrechamento tecnológico das escolas e dos alunos para aulas remotas é explicado pelo PS de outra forma. O secretário-geral adjunto do partido, José Luís Carneiro, diz que “nenhum outro país europeu tinha respostas preparadas para um problema desta natureza” e também que “o mercado está a ter procura que não é apenas a nacional mas internacional o que dificulta as entregas” do material necessário, como computadores.

Carneiro verbaliza em semanas o período do prolongamento desta período de exceção e sem aulas presenciais e ao dizer que só dentro de “duas ou três semanas” será avaliado se o país está a “conseguir achatar pico de crescimento”. Isso quer dizer que as escolas não reabrirão depois do Carnaval? “Só daqui a duas a três semanas é possível fazer avaliação dos termos em que a pandemia evoluiu porque neste momento é ainda muito cedo”.

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Com Rui Rio acabou por só concordar numa questão que fica em aberto para o futuro. O líder do PSD propôs que os dados sobre como está a decorrer a vacinação no país sejam disponibilizados juntamente com os boletins diário sobre a situação epidemiológica do país. E Carneiro não se opõe. Sem resposta fica outra proposta que Rio deixou no pós-audiência: chamar os médicos e enfermeiros para reforçar o SNS na luta contra a Covid-19.

Já à esquerda, também o PCP e BE tiveram reuniões esta quarta-feira com Marcelo e saíram alinhados numa reivindicação: é preciso garantir que as famílias mantenham salários a 100% durante o período de confinamento. O mesmo pedido veio das vozes tanto de Jerónimo de Sousa como de Catarina Martins com ambos também a pedirem o reforço do SNS nos próximos tempos, com mais contratações e investimento. O líder comunista voltou a reclamar que o Governo cumpra o que tem no Orçamento do Estado para este ano a esse nível, uma proposta que aprovou com a abstenção do PCP — quando o BE saltou fora votando contra.

Além disso, Catarina Martins também se dedicou às escolas pedindo que as aulas regressem assim que possível, sobretudo nas creches, pré-escolar e primeiro ciclo.