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Percebes, Grujic? Ganhar assim é fundamental (a crónica do Gil Vicente-FC Porto)

Primeiro brilharam os artistas, depois subiram ao palco os carregadores de piano. No final, a orquestra fez a festa e Grujic voltou a ouvir a palavra "fundamental": FC Porto venceu Gil Vicente (0-2).

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Grujic foi titular pelo terceiro encontro consecutivo, fazendo dupla com Uribe no meio-campo dos azuis e brancos

Ivan Del Val/Global Imagens

Grujic foi titular pelo terceiro encontro consecutivo, fazendo dupla com Uribe no meio-campo dos azuis e brancos

Ivan Del Val/Global Imagens

Há quem defenda de forma linear que quando um jogador chega a uma liga estrangeira e tem qualidade, resulta sempre. A maioria, no entanto, é mais conservadora nesse sentido: o rendimento está sempre condicionado pela capacidade de adaptação à nova realidade, não só em termos desportivos mas também no plano pessoal. E é por isso que essa fase se torna tão relevante. Como? De várias formas, de diferentes maneiras. Mas existe sempre um ponto em comum nas experiências que depois vão sendo relatadas pelos jogadores mais tarde – tendo ou não aulas da língua onde jogam, as primeiras palavras que aprendem são aquelas que não se devem dizer. Ainda assim, como na regra há sempre uma exceção, Grujic revelou esta semana como há outros termos que também “entram”.

FC Porto vence Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e vai jogar meias-finais da Taça de Portugal com o Sp. Braga

“A palavra que me ocorreu não foi um palavrão [risos]… Fundamental. O treinador diz essa palavra muitas vezes e gosto da forma como soa”, contou o sérvio emprestado pelo Liverpool no espaço “Pensa Rápido” que o FC Porto promove nas suas redes sociais. Houve mais alguns pormenores curiosos num lado menos conhecido dos jogadores mas que tem sempre interesse junto dos adeptos: Zidane é o jogador preferido; o que mais gosta do Porto é a comida; tem o Homem Aranha como super herói favorito; queria conhecer pessoalmente Cristiano Ronaldo (e o jogo dos oitavos da Champions com a Juventus é já no próximo mês); se não fosse médio passaria para extremo para fazer assistências; o filme preferido é James Bond. “Um sonho por concretizar no Dragão? Ganhar muitos títulos, jogar muito e ajudar a equipa”, acrescentou. No final, é tudo uma questão de perceber o ADN FC Porto.

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Grujic teve também o seu período de adaptação à equipa mas acabou por somar menos jogos e minutos do que se poderia pensar à partida por ter características mais parecidas para uma troca direta com Danilo. A química da dupla constituída no meio-campo por Uribe e Sérgio Oliveira, assim como a colocação muitas vezes ou de dois alas com dois avançados ou de Otávio como terceiro médio, contribuiu também para um menor aparecimento do médio internacional sérvio. No entanto, e como se viu durante a ausência de Sérgio Oliveira, nem por isso houve qualquer quebra na vontade e na ambição de ganhar um lugar de início, algo que tem muito a ver com a forma de trabalhar de Sérgio Conceição e os princípios do clube que prolonga para a equipa. Ou seja, o que é fundamental.

Mais uma vez, foi isso que se viu em Barcelos. Corona continua a ser o elemento mais desequilibrador da equipa pela versatilidade de recursos e de posicionamentos em campo. É fundamental. Luis Díaz regressou após recuperar da Covid-19 para fazer quase os 90 minutos em constantes explorações do espaço e criação de oportunidades em lances 1×1. É fundamental. Taremi continua a ser um avançado capaz de sair para assistir mas que nunca perde o faro para golo que faz a diferença. É fundamental. Sérgio Oliveira voltou também à ação saído do banco e fechou o meio-campo a partir daí, fazendo também a ligação que estava em falta ao ataque. É fundamental. Pepe e Mbemba, em mais uma exibição sem erros, mostraram a importância de um eixo recuado sólido. É fundamental. Mas o que também é fundamental é saber jogar com os momentos de jogo, entre “matar”, controlar e saber sofrer sem bola. Foi nesse aspeto que Grujic brilhou, mesmo dando palco a quem mais brilha. É isso que faz de um jogador fundamental. E isso é fundamental para qualquer equipa, sobretudo equipas com a ideia de jogo do FC Porto.

Ficha de jogo

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Gil Vicente-FC Porto, 0-2

Quartos de final da Taça de Portugal

Estádio Cidade de Barcelos

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Gil Vicente: Beunardeau; Joel Pereira, Ygor Nogueira, Rodrigo (Rúben Fernandes, 46′), Henrique Gomes (Talocha, 69′); João Afonso (Fujimoto, 59′), Claude Gonçalves, Lucas Mineiro; Baraye (Pedrinho, 46′), Lourency e Samuel Lino (Alaa Abbas, 77′)

Suplentes não utilizados: Denis e Vítor Carvalho

Treinador: Ricardo Soares

FC Porto: Diogo Costa; Wilson Manafá, Pepe, Mbemba, Zaidu; Grujic, Uribe, Otávio (Fábio Vieira, 82′); Corona (Sérgio Oliveira, 65′), Luis Díaz (Felipe Anderson, 87′) e Taremi

Suplentes não utilizados: Marchesín, Diogo Leite, Toni Martínez e Evanilson

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Corona (10′) e Taremi (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rodrigo (29′), Claude Gonçalves (43′), Grujic (81′) e Lucas Mineiro (90+1′)

O FC Porto entrou a todo o gás e, em pouco mais de dez minutos, conseguiu criar três situações de perigo. Duas foram anuladas por posição irregular, uma resultou em golo. Mas, mais do que isso, percebeu-se que os dragões tão depressa conseguiam sair em transições rápidas, como aconteceu numa que terminou com remate de Luis Díaz para defesa de Beunardeau após assistência de Corona que estava adiantado após o passe de Taremi (3′) e noutra onde Taremi voltou a ter um movimento muito típico em avançados como Harry Kane, de recuar para receber sem oposição para explorar depois as entradas no espaço que entretanto cria, como aconteceu com Zaidu (12′). Pelo meio, o 1-0: a pressão alta dos azuis e brancos resultou, João Afonso fez um passe curto para Rodrigo que Luis Díaz conseguiu ainda desviar e o lance terminou com um chapéu com muita classe de Corona na área (10′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Gil Vicente-FC Porto em vídeo]

Com o meio-campo a rodar os vértices consoante as necessidades da equipa, com Uribe a ficar mais em linha com Grujic sem posse e a avançar mais pela direita com bola tendo Otávio como uma espécie de interior esquerdo que muitas vezes caía mais na ala para Luis Díaz desenhar um 4x4x2 mais na frente com Taremi, o FC Porto dominava por completo até mais por aquilo que conseguia fazer sem bola do que propriamente em posse. E porquê? Porque não só o Gil Vicente via bloqueadas as saídas que permitissem explorar a velocidade de Baraye, Lourency e Samuel Lino como não conseguia fazer chegar a bola aos organizadores Claude Gonçalves e Lucas, como conseguia iniciar os lances ofensivos bem mais perto da área contrária fruto da pressão alta com sucesso a forçar o erro adversário, o que aconteceu num lance em que Rodrigo derrubou Taremi quando o iraniano ia para a baliza (o que deixou Sérgio Conceição a pedir mais do que um amarelo) e Uribe atirou a rasar o poste de livre (30′).

Até ao intervalo, Mbemba deixaria o único sinal de perigo na sequência de um livre lateral (44′), a mesma forma que Ygor Nogueira teve o único remate enquadrado à baliza de Diogo Costa (40′). Abdicando do controlo em posse de outros encontros, o FC Porto acertou na estratégia de pressão em zonas mais altas e conseguiu adaptar-se ainda melhor a essa ideia de procurar as transições e os desequilíbrios aproveitando a mobilidade e a velocidade de Corona e Luis Díaz tendo como referência na frente Taremi. Por isso, a bola passava para o lado de Ricardo Soares ao intervalo, tendo de mexer em termos táticos ou de jogadores para ter outros argumentos no segundo tempo.

O técnico dos minhotos optou por ambas as opções e deu-se bem. O primeiro lance de perigo após o intervalo até pertenceu ao FC Porto, com Otávio a combinar bem na esquerda com Corona mas a assistência do mexicano a não acabar em golo devido ao remate na área por cima de Luis Díaz (47′). No entanto, aquilo que foi uma regra nos 45 minutos tornou-se uma exceção, com o Gil Vicente, com Pedrinho no lugar de Baraye (além de Rúben Fernandes, que entrou mais para o lugar de Rodrigo pelo cartão amarelo do que outra coisa) a dar outra capacidade de posse à equipa no meio-campo dos azuis e brancos e uma outra objetividade nas abordagens à baliza. Lucas Mineiro, num remate de pé esquerdo após boa combinação fora da área, acertou no poste (54′), no lance de maior perigo que antecedeu uma defesa apertada de Diogo Costa após tentativa de Fujimoto (60′) e um corte providencial de Mbemba na área quando Samuel Lino se preparava para visar a baliza descaído no lado direito (62′).

Por questões táticas mas também físicas, tendo em conta as queixas apresentadas por Corona, Sérgio Conceição mexeu pela primeira vez na equipa a 25 minutos do final com a entrada de Sérgio Oliveira (outro regresso à equipa) para dar alguns equilíbrios em falta na equipa também pelo desgaste que Otávio e Luis Díaz iam acusando. Em termos ofensivos, os dragões não mais voltaram a ter a capacidade da primeira parte mas, em paralelo, o médio português teve o condão de segurar de novo o encontro, de tal forma que não mais o Gil Vicente voltou a criar perigo nem com a aposta no avançado Alaa Abbas. E a pior notícia foi mesmo a lesão de Otávio, que saiu com um problema muscular na coxa que poderá não ter solução rápida antes de Taremi fechar o encontro com o 2-0 na área após assistência de Sérgio Oliveira mais descaído na esquerda para poder receber com espaço (88′).

O FC Porto voltou a ganhar e está nas meias da Taça  de Portugal mas esta noite em Barcelos mostrou que, em termos físicos, o desgaste dos jogos já começa a pesar. Com o Gil Vicente, entre uma parte para os artistas andarem a brilhar antes de subirem ao palco os carregadores de piano, foi suficiente. No entanto, ficou esse aviso de que nem sempre será fácil manter a mesma intensidade para marcar, controlar e sofrer quando for necessário. E o calendário, entre Campeonato, Taça de Portugal e regresso da Champions, promete não dar tréguas.

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