Desde que está no Palmeiras, Abel Ferreira teve apenas um reforço: Breno Lopes. O avançado de 25 anos foi a aposta do treinador português, que o resgatou ao Juventude, do segundo escalão brasileiro, e deu-lhe um lugar na equipa em novembro. E a aposta nem sequer estava a ser perfeita — Breno não é titular e sempre que entrava não fazia a diferença, sendo muitas vezes criticado pelos adeptos e pela comunicação social. Abel, porém, acreditava em Breno. E foi o avançado o escolhido para substituir Gabriel Menino, já nos últimos instantes do tempo regulamentar e quando todos antecipavam um inevitável prolongamento. Ao décimo minuto de descontos, Breno justificou a aposta.

Saltou mais alto do que o adversário ao segundo poste e respondeu da melhor maneira ao cruzamento perfeito de Rony. Marcou apenas o segundo golo ao serviço do Palmeiras mas valeu a segunda Libertadores da história do clube. Logo depois de a bola entrar, tirou a camisola, correu em direção aos adeptos que estavam no estádio e celebrou com os colegas de equipa. Instantes depois, a final acabou. Breno, até aqui desacreditado, foi o herói improvável. E na flash interview logo depois do jogo ainda nem sequer conseguia traduzir em palavras tudo o que estava a sentir.

“A ficha demora a cair. Nós sabíamos como os torcedores queriam este título e o Palmeiras vinha trabalhando há muitos anos para isso. Hoje entrámos para a história. Vamos desfrutar este golo e o torcedor pode comemorar. Os meus pais estão aqui no estádio, todos nos apoiaram muito. É um dia inesquecível na minha vida e na vida de todos os torcedores do Palmeiras. A partir do momento em que aceitei esse desafio, tinha de estar preparado para todas as coisas. O staff do Palmeiras deu-me confiança. Havia muita desconfiança no meu nome e hoje estou provando que tenho condições para jogar aqui”, disse o avançado natural de Belo Horizonte, que realizou grande parte da formação nas camadas jovens do Cruzeiro e que chegou à final da Libertadores com apenas 17 jogos pelo Palmeiras.

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Breno tem agora tudo para agradecer a Abel — assim como Abel tem agora tudo para agradecer a Breno. O claro entendimento entre jogador e treinador já tinha ficado claro em dezembro, na antecâmara dos quartos de final da Libertadores, quando o avançado elogiou o trabalho do técnico português em São Paulo. “Ele é um professor muito ‘bacana’. Quando eu cheguei, ele chamou-me a uma sala e disse que o Palmeiras tinha interesse na minha contratação depois da lesão do Wesley. Eles precisavam urgentemente de um atacante. O Abel está sempre rindo e brincando e, por isso, os jogadores sentem-se muito à vontade com ele”, disse Breno, acrescentando que o treinador “cobra muita intensidade e perfeição nos treinos”. “Tenho a certeza de que vou evoluir muito sob o comando dele, porque é um cara muito ‘bacana’. Muito profissional e o grupo todo está correndo por ele”, explicou.

“Os treinos são intensos, com muita prioridade em posse de bola, jogadas ensaiadas e contra-ataque. Muito do momento que estamos passando é parte dele. Vemos sempre o Abel na Academia estudando e tendo ideias novas. A cada jogo a gente tem um estilo de jogo diferente, e ele sempre faz um plano para o jogo”, terminou o avançado. Este sábado, a aposta de Abel ficou na história.