A disputa coloca-se todos os anos e, nos últimos cinco (2015-2019), o resultado era invariavelmente o mesmo: o Grupo Volkswagen ascendeu à posição de líder global de vendas e a Toyota surgia sempre no seu encalço, em 2.º lugar. Mas as posições inverteram-se no ano passado, com o Grupo Toyota a bater o rival alemão por ter transaccionado 9,53 milhões de veículos, relegando a Volkswagen ao 2.º posto com 9,31 milhões de unidades comercializadas.

As contas incluem os diversos fabricantes de cada um dos conglomerados. No caso dos japoneses, contribuem para a “vitória” a Toyota, Lexus, Daihatsu e Hino, enquanto as contas do Grupo Volkswagen reflectem a performance comercial de marcas como a própria Volkswagen, Audi, Porsche, Skoda e Seat, bem como as divisões de pesados ​​Scania e MAN.

Ainda assim, os resultados do ano passado traduzem uma forte quebra nas vendas, devido à pandemia. A Toyota caiu 11%, mas o recuo da Volkswagen foi maior (15%), o que se explica pelo facto de a “força” comercial dos alemães residir precisamente nos mercados mais afectados pelo novo coronavírus, nomeadamente a Europa. Recorde-se que, em 2020, o mercado europeu de automóveis de ligeiros de passageiros viu as vendas baixarem 24%, para menos de 10 milhões de veículos – ou seja, menos 3 milhões de carros do que em 2019, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).

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Já a Toyota tem uma presença particularmente forte nos Estados Unidos da América, o segundo maior mercado automóvel mundial, que não sofreu tanto com a pandemia, a nível de vendas, por as restrições terem sido menos apertadas do que no Velho Continente, onde a produção foi suspensa e os stands estiveram fechados alguns meses.

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A contribuir claramente para a liderança da Toyota está a gama Corolla e o RAV4 que, segundo os dados avançados pela Focus2Move, são o primeiro e o segundo veículos mais vendidos globalmente, enquanto o Camry surge na 9.ª posição.

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A consultora IHS Markit antecipa para 2021 um cenário de recuperação, pese embora o mercado automóvel mundial continue a ressentir-se da falta de chips – situação que ainda não se sabe ao certo quando estará resolvida. A Covid-19, por outro lado, tão pouco ajudará a recuperar os números do passado. Mas a companhia britânica prevê que, apesar de todas estas variáveis, será possível atingir 84,4 milhões de unidades (mais 7,6 milhões do que em 2020). A mesma empresa projecta que, em 2025, as vendas mundiais devem ficar perto de 95 milhões de automóveis.