“A verdade é mais estranha do que a ficção.” Esta parece ser a mensagem principal do livro autobiográfico de Samantha, irmã de Meghan Markle, que dedicou quase 300 páginas a relatar segredos da vida da duquesa de Sussex. Consta que, quando soube que o livro ia acontecer, Meghan chorou e até ficou maldisposta. Compreensível, dado o que o livro promete e que a mulher de Harry tem apelado insistentemente ao respeito pela sua privacidade.

Intitulado “The Diary of Princess Pushy’s Sister: A Memoir, Part One”, o livro está finalmente à venda depois de meses de especulação. Samantha, que mudou o apelido de Grant para Markle, não vê a irmã há anos e não foi convidada para o casamento real, em maio de 2018. Ainda assim, dedicou os últimos anos a um livro que tem capítulos com os seguintes títulos: “A rainha ficaria chocada” e “Em busca do homem certo da maneira errada”.

Entre as muitas coisas que aborda no livro, há uma que salta de imediato à vista na imprensa internacional: Samantha, 17 anos mais velha do que Meghan, escreve sobre o escândalo das fotografias encenadas, quando foi descoberto que Thomas Markle, o pai da duquesa, colaborou com os “paparazzi” para encenar uma série de fotografias antes do casamento da filha com o príncipe Harry.

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Segundo o Daily Mail, jornal que avançou em primeira mão com a história, Thomas foi descoberto por câmaras de vídeo vigilância a chegar a um café, nos EUA, com o fotógrafo Jeff Rayner. Minutos mais tarde, o par foi visto a orquestrar uma imagem ao detalhe: Thomas sentado à mesa do café, com o computador em frente, a ler uma notícia sobre o casamento da filha com o príncipe Harry. Jessica Anaya contou ao jornal já citado como as imagens foram encenadas. Anaya, que na altura geria o café em questão, disse que os dois homens estavam a menos de dois metros de distância quando as fotografias foram tiradas. O pai de Meghan terá ganhado 100 mil libras, o equivalente a 113 mil euros.

Nas restantes imagens encenadas, Thomas Markle é ainda visto a experimentar um fato para o casamento (o alegado alfaiate que aparece na imagem era, na verdade, um estudante de 17 anos, empregado numa loja de artigos para festas) e também a ler um livro num dos cafés da cadeia Starbucks.

Pai de Meghan Markle falha casamento real depois de encenar fotos de “paparazzi”

O escândalo esteve no centro da cisão entre pai e filha por altura do casamento real — foi o príncipe Carlos quem, no grande dia, levou Meghan ao altar. De acordo com os excertos consultados pela Newsweek, Samantha teve responsabilidade no que aconteceu, embora admita no livro que apenas queria ajudar Thomas (seu pai e de Meghan): “Recebi uma chamada de alguém a oferecer-se para me pôr em contacto com um fotógrafo amigo chamado Jeff [Rayner], que prometeu tirar discretamente fotografias do meu pai, colocando-o sob uma luz honesta, porque os outros fotógrafos foram intencionalmente tão depreciativos”, escreve a irmã da duquesa de Sussex.

Samantha alega que não recebeu qualquer dinheiro e que esse também não era o objetivo do pai que, na altura, estava a recusar entrevistas no valor de 50 mil dólares. A ideia, insiste, era apenas permitir que a realeza e o resto do mundo vissem Thomas com outros olhos — os relatos são coincidentes com a entrevista que o próprio deu em 2018 ao programa de televisão “Good Morning Britain”.

Segundo a autora da autobiografia, Jeff Rayner, o fotógrafo, garantiu discrição e assegurou que ficaria sempre a uma distância segura de Thomas, promessas que não se concretizaram, com a história das imagens encenadas a eclodir no tabloide britânico Daily Mail — as consequências do escândalo já fazem parte da história. Samantha escreve que ficou encantada quando viu algumas das fotografias, mas que tudo mudou quando deu de caras com o artigo que expunha o esquema.

“Quase me engasguei quando vi as fotos do fotógrafo a andar três metros atrás do meu pai, tal como visto numa câmara de vigilância do Internet Café. Tive a garantia de que ele não estaria visível e tenho a certeza de que ele [o fotógrafo] sabia que a câmara estava lá no teto”, salienta. A irmã de Meghan garante ainda que entrou em contacto com o fotógrafo que prometeu remediar a situação, mas por essa altura “os estragos já estavam feitos”.

Ainda sobre o casamento real, o livro dá detalhes de uma “duquesa controladora”, acrescenta o The Sun. A autora defende que a família real deveria ter adiado a cerimónia após o pai ter sofrido um ataque cardíaco, motivo pelo qual não compareceu na cerimónia. Numa passagem do livro, Samantha descreve uma conversa que teve com Thomas Markle, este que terá dito que Meghan já não era a mesma pessoa. “Quando o Harry está na sala ela é muito querida e uma pessoa diferente mas, quando sai, ela é má e controladora”.

A Newsweek não deixa de salientar que, a propósito do casamento real, Samantha cobrou por várias das entrevistas que deu. No livro, ela aborda a decisão de fazer dinheiro à custa do romance de Meghan, alegando que a família tinha contas para pagar e que vive com limitações — aos 56 anos, Samantha luta contra a esclerose múltipla e está numa cadeira de rodas. Defende ainda que o que tinha a dizer parecia ter “utilidade social”. “Porque não deveria ser compensada?”

“Acredito em situações onde todos ganham e fui inflexível (…) Se eles [os media] iam ganhar dinheiro, nós também. Não achei que deveria desculpar-me por isso, o dinheiro permite-nos sobreviver.”