O BPI anunciou esta quinta-feira que lucrou quase 105 milhões em 2020 apesar de fazer mais de 150 milhões de euros em provisões para riscos de crédito – lucros consolidados que baixam 68% em relação ao ano anterior. Na operação em Portugal, os lucros recorrentes caíram 64% em termos homólogos, para 84,3 milhões. O banco tem 5,6 mil milhões de euros de crédito em moratória, 22% da carteira de crédito do banco, além de 700 milhões em crédito através das linhas públicas Covid-19.

Estas foram informações que o banco apresentou esta quinta-feira ao mercado, através da CMVM, bem como aos jornalistas em conferência de imprensa por via remota. O BPI explica que desses 151 milhões de euros que foram “colocados de lado”, subtraídos aos resultados, 97 milhões são “imparidades não alocadas”, ou seja, uma espécie de fundo-almofada “para prevenir potenciais impactos da pandemia”.

O BPI diz que está a ser feito um acompanhamento próximo dos clientes em moratória e a “esmagadora maioria dos clientes que têm moratória – 98% – não pioraram a sua situação financeiro e, por isso, não antevemos para já um problema significativa”. “Haverá setores mais afetados por esta terceira vaga e pelo prolongado desenvolvimento difícil da economia portuguesa e há outros setores que sentiram pouco a crise e também tem moratórias – qualquer solução que venha a ser encontrada deve olhar para esta dicotomia. Os setores mais vulneráveis são o turismo, restauração, automóvel, transportes mas, também, setores da cultura”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, presidente do banco, pedindo “soluções de longo prazo e não apenas de curto prazo para essas situações”.

Não é muito positivo pensar sempre que haverá aqui uma situação que ponha em causa as instituições financeiras, porque estas têm condições de solidez muito mais robustas do que anteriormente”, disse o presidente-executivo.

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O BPI indicou, porém, que aumentou a carteira de crédito em 5,4% (1,3 mil milhões de euros), subindo a quota de mercado em 0,3 pontos percentuais, para 10,7%. Na área da habitação, por exemplo, o BPI conseguiu aumentar a produção de novo crédito em 20% para 1.741 milhões de euros.

“O forte dinamismo na atividade comercial bancária, num contexto adverso e de dimensão inédita. Os proveitos ‘core’ mostraram resiliência, mantendo-se praticamente inalterados face a 2019 e conseguimos subir a margem financeira, em contraciclo com o mercado. Foi um exercício desafiante, que exigiu muito de todos, mas em que o BPI mostrou ter o músculo necessário e o empenho de todos os seus colaboradores, não só para apoiar as famílias e as empresas, mas também para, em conjunto com a Fundação “la Caixa”, reforçar o seu compromisso social”, afirma João Pedro Oliveira e Costa, presidente-executivo do BPI, em comunicado de imprensa.

Os depósitos na instituição também aumentaram, em três mil milhões (13%).

O banco reduziu 218 colaboradores durante o ano, através de reformas antecipadas e rescisões de mútuo acordo, com o presidente do banco a indicar que não há qualquer plano de reestruturação em curso no BPI (como existe noutros) mas que o banco tem estado disponível para falar com os colaboradores que “entendam que a sua vida profissional deve tomar outro rumo”.