O Kremlin disse esta quinta-feira que não está disponível para discutir com os parceiros ocidentais as decisões judiciais dos tribunais russos ou a forma como tem tratado os manifestantes nos protestos em apoio ao líder oposicionista Alexei Navalny.

Repito: não temos intenção de levar em consideração as declarações sobre questões relacionadas à aplicação das nossas leis àqueles que as violam, nem aquelas que se referem aos veredictos dos nossos tribunais”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

“Estamos disponíveis para comentar essas questões, mas não estamos disponíveis para discuti-las com ninguém”, insistiu Peskov, na véspera do encontro que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, realizará em Moscovo o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell.

A comunidade internacional, incluindo a União Europeia, condenou as detenções em massa e a repressão sobre os manifestantes que nas últimas semanas saíram à rua para apoiar o líder oposicionista Alexei Navalny, que esta semana foi condenado a dois anos e meio de prisão por ter violado a liberdade condicional.

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Peskov voltou a defender a ação da polícia, que deteve mais de 10.000 pessoas nas manifestações a favor de Navalny, em várias ocasiões com uso excessivo da força, e afirmou: “No nosso país não há repressão”.

“O que há são medidas contra quem infringe as leis em atos não autorizados”, disse o porta-voz do Kremlin, reiterando a sua versão de que alguns dos manifestantes aderiram aos protestos incitados por provocadores e de que os agentes de segurança procederam às detenções, após terem sido violentamente atacados.

Peskov descreveu como inaceitável a proposta bipartidária dos senadores dos EUA, que na quarta-feira reintroduziram uma lei para aplicar sanções à Rússia pelo envenenamento de Navalny.

“Esses senadores sabem que consideramos esse tipo de abordagem totalmente inaceitável nas relações bilaterais”, concluiu Peskov.

Navalny, 44 anos, um investigador anticorrupção e o crítico mais conhecido de Putin, foi preso a 17 de janeiro ao regressar da Alemanha, onde passou cinco meses a recuperar de uma intoxicação por agente nervoso que atribui ao Kremlin.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, e testes da Organização para a Proibição de Armas Químicas, estabeleceram que ele foi exposto ao agente nervoso Novichok. As autoridades russas recusaram-se a abrir um inquérito criminal completo, alegando falta de evidências de que ele fora envenenado.

Na terça-feira, um tribunal russo condenou Navalny a dois anos e meio de prisão, por violação de liberdade condicional.

A pena aplicada a Navalny foi condenada pela grande maioria dos países ocidentais, tendo a UE, através do seu alto representante para a política externa, afirmado hoje que a sentença imposta ao opositor russo é “inaceitável e politicamente motivada”, admitindo a possibilidade de aplicar novas sanções contra a Rússia.