As autoridades de Myanmar acusaram esta quarta-feira formalmente a líder civil do país, Aung San Suu Kyi, deposta há dois dias por um golpe militar, dando cobertura à sua detenção.

A acusação formal seguiu-se a uma queixa judicial, apresentada também esta quarta-feira pelo exército de Myanmar, e poderá dar permitir a detenção até 15 de fevereiro Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliária, de acordo com documento citado pela AP.

De acordo com apoiantes da líder birmanesa e Prémio Nobel da Paz, na base da queixa está uma alegada importação ilegal de material de telecomunicações, “walkie-talkies”, encontrados na sua residência na segunda-feira.

O porta-voz da Liga Nacional para a Democracia, Kyi Toe, confirmou a apresentação de acusações contra Suu Kyi, por crimes que têm um cúmulo penal de três anos de prisão.

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O presidente deposto, Win Myint, foi acusado de violar a lei de gestão de desastres naturais, devido a normas impostas contra a propagação da pandemia deCcovid-19.

Esta quarta-feira, centenas de parlamentares mantidos sob detenção em residências do Estado desde o golpe receberam ordens para deixar a capital, Naipidau, rumo às suas casas, em 24 horas.

O partido de Suu Kyi está a apelar à resistência pacífica e na noite de terça-feira milhares de pessoas saíram às ruas da principal cidade do país, Rangum, tal como apoiantes dos militares.

As detenções e o golpe de Estado militar ocorreram segunda-feira, horas antes de o parlamento eleito nas anteriores eleições iniciar a primeira sessão.

O Exército de Myanmar (antiga Birmânia) declarou na segunda-feira o estado de emergência e assumiu o controlo do país durante um ano, após a detenção de Aung San Suu Kyi, do Presidente do país, Win Myint, e de outros líderes governamentais.

O país emergiu há apenas 10 anos de um regime militar que estava no poder há quase meio século.

Para justificar o golpe de Estado, imediatamente condenado pela comunidade internacional, os militares asseguraram que as eleições legislativas de novembro passado foram marcadas por “enormes irregularidades”.

Os militares evocaram ainda os poderes que lhes são atribuídos pela Constituição, redigida pelo Exército, permitindo-lhes assumir o controlo do país em caso de emergência nacional.

O partido de Aung San Suu Kyi, que está no poder desde as eleições de 2015, venceu por larga maioria as eleições de novembro.

A situação política no país é igualmente marcada pelo genocídio contra a população de etnia rohingya pelo Exército que cometeu atos de extrema violência que não foram condenados por Aung San Suu Kyi.