Mais um braço de ferro na véspera do Conselho Nacional do CDS. A distrital de Lisboa, liderada por João Gonçalves Pereira, um dos apoiantes de Adolfo Mesquita Nunes, entregou um requerimento no Conselho de Jurisdição do partido para forçar que a votação da moção de confiança a Francisco Rodrigues dos Santos seja secreta e não nominal.

Numa altura em que ainda não está excluído o cenário de um eventual congresso extraordinário — Mesquita Nunes continua a tentar que o Conselho Nacional discuta e vote a favor de eleições internas — a decisão sobre o voto secreto deve ser conhecida já esta sexta-feira. “Temos de garantir que há votações democráticas. Nem o Partido Comunista tem este tipo de práticas”, diz ao Observador Gonçalves Pereira.

O pedido deu entrada na quinta-feira e, sendo aprovado, pode influenciar o desfecho da votação do Conselho de Nacional. Na convicção dos apoiantes de Adolfo Mesquita Nunes há muitos conselheiros que estão dispostos a votar contra Francisco Rodrigues dos Santos mas que não o farão se a votação for nominal.

Este é o segundo esforço de Mesquita Nunes para forçar a votação secreta. Num primeiro momento, o challenger de Rodrigues dos Santos tentou que a Mesa do Conselho Nacional, presidida por Filipe Anacoreta Correia, aceitasse este modelo.

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Anacoreta Correia, no entanto, ainda não tomou uma decisão formal. Neste momento, sabe o Observador, estão a ser estudadas soluções técnicas que permitam acautelar uma votação dessa natureza e que dê todas as garantias de que o processo decorre sem interferências externas. Francisco Tavares, secretário-geral do partido, está a auscultar empresas do setor para perceber se há condições para avançar com esse modelo. Mas os apoiantes de Rodrigues dos Santos já vão avisando: o partido não tem dinheiro para entrar em aventuras.

Ainda assim, de acordo com a leitura que os subscritores deste pedido fazem, a Mesa do Conselho Nacional pode não ter oportunidade de se pronunciar, uma vez que as decisões do Conselho de Jurisdição, presidido por Alberto Coelho (apoiante de Francisco Rodrigues dos Santos) e Diogo Feio (vice e apoiante de Adolfo Mesquita Nunes) se sobrepõem à decisão da Mesa e do plenário do Conselho Nacional.